Ainda há muito pelo que lutar!

March 8th, 2008 Denise Posted in Família, Mulher, violência 16 Comments »


Imagem daqui.

Bem, vamos lá:

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher, um dia que muitos julgam ser ‘festivo’, mas, convém lembrar que tal foi criado para refletirmos sobre a trajetória da mulher ao longo dos séculos. Muita gente ainda desconhece, ou ignora que este dia foi criado em memória das 129 tecelãs que, em 1857, em Nova Iorque, foram mortas carbonizadas dentro da fábrica onde trabalhavam, por organizarem uma greve por melhores condições de trabalho, contra a jornada de doze horas, e contra abusos e violências de que eram vítimas.

Então, é necessário que haja discussões sobre o fato de que, embora tenhamos conquistado muitos direitos que nos eram negados, ainda há muito pelo que lutar contra os abusos históricos cometidos contra as mulheres. Está na hora de haver uma punição mais severa para os agressores - espancadores de mulheres e estrupadores. Basta de pagamento de cestas básicas e a volta do agressor ao convívio com a família que o denunciou! Isto inibe as mulheres que passam a não denunciar os abusos por falta de proteção. Revoltante!

Chega de violência doméstica e de exploração como ‘escrava’, dentro de casa, em triplas jornadas de trabalho! Basta de tanta desigualdade salarial, de tanta desvalorização da mulher na música, na mídia! Chega de contaminação, pelo próprio parceiro, com doenças como AIDS, HPV e outras! Chega de humilhações culturais, de discriminações! Basta!

Então, hoje não é dia de flores e nem de bombons, mas de muita ação.

Visite o Portal da Violência Contra a Mulher e veja a pesquisa com estes, entre outros dados:

  • Em cada quatro entrevistados, três consideram que as penas aplicadas nos casos de violência contra a mulher são irrelevantes e que a justiça trata este drama vivido pelas mulheres como um assunto pouco importante.
  • 54% dos entrevistados acham que os serviços de atendimento a casos de violência contra as mulheres não funcionam.
  • 64% acham que o homem que agride a mulher deve ser preso (na opinião tanto de homens como mulheres); prestar trabalho comunitário (21%); e doar cesta básica (12%). Um segmento menor prefere que o agressor seja encaminhado para: grupo de apoio (29%); ou terapia de casal (13%).
  • 33% dos entrevistados afirmaram que “Quando o marido fica sabendo, ele reage e ela apanha mais”; 27% responderam que não acontece nada com o agressor; 21% crêem que o agressor vai preso; enquanto 12% supõem que o agressor recebe uma multa ou é obrigado a doar uma cesta básica.
  • Por outro lado, 49% concordam que, de maneira geral, a Justiça brasileira pune os agressores e 60% acham que isso acontece nos casos de homicídios de mulheres.

Precisamos ter fé que ainda há esperança para esta humanidade. Esperar a mulher morrer para, então punir rigorosamente o agressor é algo incompreensível para se aceitar. Mas, mesmo com tanto sofrimento, é bom lembrarmos que há muitas mulheres que venceram preconceitos, humilhações e dificuldades diversas, e estas merecem nossa admiração como símbolo de resistência e coragem. A todas, meu carinho e meu respeito.

Veja o post da Lucia Malla sobre as Mulheres que fazem, em nosso blog Faça a sua parte.

Imagem daqui

Technorati Tags:

AddThis Social Bookmark Button

Professor, um acessório descartável?

March 1st, 2008 Denise Posted in Pessoal, Trabalho, educação e ensino, violência 4 Comments »

Será que nós estamos desenvolvendo a "síndrome de Bournout", que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) atinge cerca de 25% dos professores? "Não é stress, depressão ou angústia: é pior, pois o professor se transforma num robô, o que é muito grave, porque a educação pressupõe dedicação.

Essa síndrome faz com que o trabalhador perca o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais importa, e qualquer esforço parece inútil, causando uma enorme desmotivação, quando o profissional se depara com a violência que vem atingindo as escolas, tanto públicas quanto particulares. Essa violência, além de atingir os professores, prejudica o desempenho dos alunos."

Esta semana tive esta sensação de inutilidade pública diante de minhas novas turmas. Precisei me esforçar bastante para ter acesso àqueles alunos que pareciam não entender uma palavra do que eu dizia. Este fato me levou a pensar em minhas próprias convicções sobre meu jeito tão particular de dar aulas para platéias tão desinteressadas. Parece-me que não vêem razão para estudar "aquela coisa tão chata” a que os estou obrigando assimilar.

Olhando para os alunos, percebo que as dúvidas deles sobre os objetivos das aulas de Literatura são, exatamente, o porquê de terem de aprender tudo isso. Procuro explicar-lhes, mostrando que há vários métodos para se registrar a história da gente, nos diferentes tipos de Arte, e que eles poderão escolher em suas vidas, o método que mais lhes agradar para conhecer a história universal dos povos, e também para viajar pela aventura humana, e desvendar as questões mais transcendentais sobre o sentido da vida. E a mim compete apresentar-lhes a Arte literária. Nenhum deles me perguntou ainda por que não são obrigados então, a ter aulas de Música, ou de Pintura, ou de Escultura, ou de Arqueologia, ou de Antropologia, ou de Teatro, por exemplo.

Para eles, conhecer os movimentos literários, seus autores e obras, não serve para outra coisa, a não ser que "cai no vestibular". Então, penso que, se os alunos perguntam para que serve "esta coisa", ou por que têm de saber tudo "isso", é porque minhas aulas não estão demonstrando que eles saibam o tempo todo por que estão estudando Literatura, ou então é porque o conteúdo está sem graça, fora do contexto. O que será que o desinteresse dos alunos está querendo me comunicar? O que querem realmente me dizer com conversas paralelas, brincadeiras, sono (sim, alguns dormem na aula) e agressividade?

Parece-me que não estão direcionando estas atitudes especificamente para mim ou para a matéria que têm de aprender, mas para este ambiente monótono, asfixiante em que se transformou a sala de aula. Talvez preferissem estar em outro lugar, certamente em seus quartos, em jogos de computador, ou em outro ambiente que lhes trouxesse mais vontade de participar das atividades e não querer mais parar.

Considero-me uma mestra querida, sou carinhosa com meus garotos, mas, muitas vezes, em aula, no momento em que meu trabalho está se desenvolvendo, percebo o desinteresse dissimulado em risadinhas, conversinhas, fones no ouvido, "posso ir ‘no’ banheiro?", e imagino-me falando com as paredes. E nestas horas, sinto minha limitação para fazer as aulas criativas e interessantes, e transcender meus limites. E indago-me:"sou professora para quê?", se cada um traz dentro de si uma inquietude, uma curiosidade natural para descobrir sua história e meios para obter tal conhecimento (se assim o desejar, é claro)?

Então, concluo que, para os alunos que realmente desejam ampliar sua cultura e saciar sua sede de conhecimento, não é suficiente ficar assistindo a aulas, somente sentados naquelas carteiras. Preciso rever meus métodos. Talvez, nós, professores, já tenhamos sidos descartados e engolidos pela máquina globalizante. Uma professora-robô. Será?

Leia mais sobre síndrome de burnout, aqui e aqui.
Imagem: Repliee Q2

Technorati Tags: , , ,

AddThis Social Bookmark Button

Por que os homens amam a guerra?

February 16th, 2008 Denise Posted in paz, sociedade, violência 8 Comments »


Cemitério das vítimas norte-americanas
em Colleville, na Normandia

Assisti ao documentário UM BRASILEIRO NO DIA D, um relato feito pelo baterista Barone, do grupo Paralamas do sucessso, o qual encontra o único brasileiro conhecido que participou do Dia D: o franco-brasileiro Pierre Closterman - nascido em Curitiba em 1921, falecido em março de 2006 - que foi o maior ás da aviação francesa durante o conflito.

No seis de junho de 1944, o Dia-D, em uma enorme operação militar aeronaval, 155 mil homens dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia, região da França Atlântica, dando início à libertação européia do domínio nazista.

Transportados por uma frota de 14.200 barcos, protegida por 600 navios e milhares de aviões, asseguraram uma sólida cabeça-de-praia no litoral francês e dali partiram para expulsar os nazistas de Paris e, em seguida, marchar em direção à fronteira da Alemanha. Era o início do colapso final do III Reich, o império de Hitler.

Assisti também ao especial, Os últimos dias de Hitler, um relato da secretária pessoal do Führer, uma biografia que inspirou o roteiro do filme A Queda,a que não assisti ainda, e que marcou a história docinema por tentar mostrar o lado sensível do homem que se tornou a personificação do mal. É o testemunho fiel de Traudl, uma jovem que durante três anos conviveu diariamente com o ditador alemão – foi para ela, inclusive, que Hitler ditou seu testamento, dois dias antes de se suicidar.

Apesar de Hitler ter sido um tirano tão cruel, sua enfermeira Erna afirma que não tem nada contra o ditador. "Ele se mostrou sempre cortês e encantador. A sua autoridade era extraordinária." A secretária de Hitler, Traudl, também afirmava que ele era sempre tão gentil, e que não compreendia como podia dar ordens tão terríveis.

Fiquei refletindo sobre o fascínio que a guerra e os ditadores exercem sobre os homens. É um jogo de sedução e poder. Milhões são gastos na preparação e execução de uma guerra. A indústria bélica, cada dia mais sofisticada, gera milhares de empregos. Cada ditador, digo, chefe de Estado, procura aumentar e exibir seu poderio bélico e econômico. Há um interesse político e econômico intenso para que a guerra não pare de existir.

"Flávio Rocha de OLIVEIRA, cientista político, vê a guerra como uma solução ou prática política, quando as demais soluções políticas amigáveis fracassaram…Trata-se de um jogo político de forças, em que o mais forte tenta impor-se ao mais fraco." [OLIVEIRA, Flávio Rocha. O Jogo da Guerra. In: Revista Jurídica Del Rey, BH – Ed. Del Rey, nº 10,p.11,2003]

Os homens fazem a guerra porque ela lhes dá muito lucro e intenso prazer. As conseqüências dela parecem não sensibilizar os ávidos por poder econômico e territorial. "De onde procedem guerras e contendas, que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? (Tg 4.1). As guerras e conflitos têm sua origem na cobiça humana, na maldade que habita suas mentes.

Durante o documentário, Pierre Closterman diz algo assim : "… espero que os homens aprendam a lição e não façam isto de novo. Mas eles fizeram!". Sim, minha gente, eles fizeram, e continuam fazendo, porque lhes falta paz, amor, compreensão, solidariedade, enfim, falta Deus em suas vidas. Há os que lutam em nome de Deus. Não acredito neste Deus que justifique a guerra. Não é o meu Deus, definitivamente, não é.

Que a paz do Senhor, que excede a todo o entendimento, guarde os vossos corações e vossos pensamentos em Cristo Jesus … (II Tessalonicenses 3.1-2)

foto daqui
Fontes:
http://historia.abril.com.br/2006/hotsites/barone.shtml
http://www.mundolegal.com.br/?FuseAction=Doutrina_Detalhar&did=20134

Technorati Tags: , , ,

AddThis Social Bookmark Button

A ficção retrata a vida

November 25th, 2007 Denise Posted in Mãe-órfã, eventos, violência 13 Comments »

capaooutrashistorias.jpg

Estou lendo o livro do Valter Ferraz. Uma narrativa envolvente, de ritmo acelerado, e, acima de tudo verossímil demais a meu ver. Hoje, ao ler justamente este capítulo, senti reviver a dor de mãe-órfã. A cena do menino caído, baleado, julgando que seria socorrido pelo policial, e este, friamente o executa. Valter descreve com muita realidade os segundos que antecedem a morte do menino:

” O céu girando loucamente e o gosto do sangue subindo pela garganta. Viu o rosto da mãe, do Juninho o irmão que morreu ano passado. Uma confusão de pessoas, gritos, barulhos estranhos. Silêncio.”

Meus Deus! Sim, meu Deus! Ele me preparou para ler isto hoje, pois, horas antes, estive na igreja, pela manhã, e, ouvi : “às vezes você se pergunta por que Deus está fazendo isto com você…” Não me lembro do resto. Só chorei, baixinho. Lembrei-me de que não cai uma folha de uma árvore sem a permissão dEle. E sei que Ele é um Deus bondoso, cujos planos não compreendo, mas que são perfeitos.

Lendo, agora à tarde, no livro do Valter, esta descrição tão tocante de o menino lembrando a mãe e o irmão, fiquei imaginando o meu menino, em seus momentos finais, pensando em mim, na irmã e na Princesinha. Preciso parar agora. Não posso escrever mais… Emoção demais.

O lançamento do livro do Valter será no dia 6 de dezembro em SP. Estarei lá.

convite.gif

AddThis Social Bookmark Button