Inativos ou vagabundos?

May 1st, 2008 Denise Posted in Pessoal, Trabalho, sociedade 7 Comments »

A possibilidade de me aposentar é uma tentação e, ao mesmo tempo, uma temeridade. Após 32 anos de serviço, diminuir o ritmo de trabalho é uma necessidade que, no entanto, se constitui em uma punição em vez de um prêmio. Explico-me: com a aposentadoria, os proventos terão uma redução de 30 por cento, que é uma diferença significativa. Isto significa que será preciso continuar a trabalhar, mesmo que seja sem vínculo empregatício, ou ‘freelancer’, para compensar a perda.

Trabalhar como ‘freela’ é algo que me atrai pela possibilidade de gerenciar meus trabalhos e projetos de forma independente, com horário de trabalho mais flexível. Aliás, já faço alguns trabalhos, mas sempre por opção e prazer, e não apenas pela remuneração. O que realmente causa indignação é o fato de ter trabalhado por mais de 30 anos em uma instituição e, ao desejar parar, ser penalizada com o corte no orçamento.

Tenho outros trabalhos, em outras instituições, pois, no Brasil, professores (e outros profissionais também) precisam trabalhar, muitos até os 70 anos, ou mais. Porém, no meu caso, a aposentadoria voluntária, em apenas uma das instituições em que trabalho, não extingue a possibilidade de continuar trabalhando. Parece ilógico continuar em atividade, enquanto pela Previdência Social se é reconhecido como inativo. Porém, no Brasil, muitos empregados requerem, espontaneamente, sua aposentadoria e isso não corresponde à extinção da atividade. A Previdência paga aposentadoria a quem, de fato, continua trabalhando.

Na realidade, ninguém deseja, ou não pode, sair do mercado de trabalho. Parece até um golpe contra a Previdência: aposentados que continuam trabalhando em outras empresas. Um ex-presidente já os acusou de vagabundos que se locupletam de um país de pobres e miseráveis’. Então eu penso: se estou em plenas condições laborativas, como atestou meu médico, por que requerer a aposentadoria e ‘mamar’ dos cofres públicos, como já insinuou aquele chefe de governo? Será que deveria trabalhar enquanto puder, para engrandecimento do País e não usufruir a ‘inatividade’ para meu benefício pessoal? Estou sendo sarcástica?

Avaliando meus objetivos e a realidade que possuo - carro, casas, e mesmo dinheiro - e o que realmente importa, penso que gastei muito tempo para construir algo material e, muitas vezes, negligenciei a família e os amigos, pois não tinha tempo para eles. Onde estão eles agora? (suspiro…) Valeu a pena? De que adianta trabalhar tanto para ter algo, e não poder desfrutar o que se conquistou com as pessoas queridas? Então, mesmo perdendo financeiramente, e , engrossando as fileiras de ‘vagabundos’, tenho de decidir se me aposento ou não. Confesso que é uma decisão difícil: trabalhar até morrer ou me aposentar e continuar trabalhando para ter como pagar as contas?O que vocês fariam?

imagem daqui

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Professor, um acessório descartável?

March 1st, 2008 Denise Posted in Pessoal, Trabalho, educação e ensino, violência 4 Comments »

Será que nós estamos desenvolvendo a "síndrome de Bournout", que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) atinge cerca de 25% dos professores? "Não é stress, depressão ou angústia: é pior, pois o professor se transforma num robô, o que é muito grave, porque a educação pressupõe dedicação.

Essa síndrome faz com que o trabalhador perca o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais importa, e qualquer esforço parece inútil, causando uma enorme desmotivação, quando o profissional se depara com a violência que vem atingindo as escolas, tanto públicas quanto particulares. Essa violência, além de atingir os professores, prejudica o desempenho dos alunos."

Esta semana tive esta sensação de inutilidade pública diante de minhas novas turmas. Precisei me esforçar bastante para ter acesso àqueles alunos que pareciam não entender uma palavra do que eu dizia. Este fato me levou a pensar em minhas próprias convicções sobre meu jeito tão particular de dar aulas para platéias tão desinteressadas. Parece-me que não vêem razão para estudar "aquela coisa tão chata” a que os estou obrigando assimilar.

Olhando para os alunos, percebo que as dúvidas deles sobre os objetivos das aulas de Literatura são, exatamente, o porquê de terem de aprender tudo isso. Procuro explicar-lhes, mostrando que há vários métodos para se registrar a história da gente, nos diferentes tipos de Arte, e que eles poderão escolher em suas vidas, o método que mais lhes agradar para conhecer a história universal dos povos, e também para viajar pela aventura humana, e desvendar as questões mais transcendentais sobre o sentido da vida. E a mim compete apresentar-lhes a Arte literária. Nenhum deles me perguntou ainda por que não são obrigados então, a ter aulas de Música, ou de Pintura, ou de Escultura, ou de Arqueologia, ou de Antropologia, ou de Teatro, por exemplo.

Para eles, conhecer os movimentos literários, seus autores e obras, não serve para outra coisa, a não ser que "cai no vestibular". Então, penso que, se os alunos perguntam para que serve "esta coisa", ou por que têm de saber tudo "isso", é porque minhas aulas não estão demonstrando que eles saibam o tempo todo por que estão estudando Literatura, ou então é porque o conteúdo está sem graça, fora do contexto. O que será que o desinteresse dos alunos está querendo me comunicar? O que querem realmente me dizer com conversas paralelas, brincadeiras, sono (sim, alguns dormem na aula) e agressividade?

Parece-me que não estão direcionando estas atitudes especificamente para mim ou para a matéria que têm de aprender, mas para este ambiente monótono, asfixiante em que se transformou a sala de aula. Talvez preferissem estar em outro lugar, certamente em seus quartos, em jogos de computador, ou em outro ambiente que lhes trouxesse mais vontade de participar das atividades e não querer mais parar.

Considero-me uma mestra querida, sou carinhosa com meus garotos, mas, muitas vezes, em aula, no momento em que meu trabalho está se desenvolvendo, percebo o desinteresse dissimulado em risadinhas, conversinhas, fones no ouvido, "posso ir ‘no’ banheiro?", e imagino-me falando com as paredes. E nestas horas, sinto minha limitação para fazer as aulas criativas e interessantes, e transcender meus limites. E indago-me:"sou professora para quê?", se cada um traz dentro de si uma inquietude, uma curiosidade natural para descobrir sua história e meios para obter tal conhecimento (se assim o desejar, é claro)?

Então, concluo que, para os alunos que realmente desejam ampliar sua cultura e saciar sua sede de conhecimento, não é suficiente ficar assistindo a aulas, somente sentados naquelas carteiras. Preciso rever meus métodos. Talvez, nós, professores, já tenhamos sidos descartados e engolidos pela máquina globalizante. Uma professora-robô. Será?

Leia mais sobre síndrome de burnout, aqui e aqui.
Imagem: Repliee Q2

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Projeto de leitura volta das férias

February 8th, 2008 Denise Posted in Projeto de leitura, Trabalho 6 Comments »

O mar não é só Onomatopéia

Pois é, pessoal, após um relaxante período de férias, retomamos nossas atividades no blog-projeto: Na roda de leitura. As aulas ainda não começaram, mas o nosso blog antecipou a volta ao mundo da leitura e produção de textos.

E, inaugurando nossas produções, está lá um lindo poema, O mar não é só Onomatopéia, produzido em sala de aula por uma de nossas alunas, no final do ano passado. Após estudarmos sobre os efeitos sonoros nos poemas, a aluna construiu um belo poema. Vejam lá, Na roda de leitura, que beleza!

imagem daqui

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Emoções demais

December 21st, 2007 Denise Posted in Mãe-órfã, Pessoal, Trabalho, educação e ensino 16 Comments »

Ontem foi um dia especial para mim. A formatura de minha turma do coração. Sim, existe uma turma que me marcou, nestes 31 anos de carreira. No momento mais difícil de minha vida, eles me acolheram. Abaixo, meu discurso-bate-papo que me levou às lágrimas. Vejam que galera linda!
Obrigada , meninos!

1301formatura.jpg

Assim comecei meu discurso:

” Srªs Diretoras , caros colegas professores, prezados pais, queridos formandos. Agradeço aos alunos da turma 1301 pelo convite para ser paraninfa da turma. Assim, este discurso será, para vocês, uma última aula.

O termo paraninfo tem atualmente, um significado diferente do original…

(Ah! , foi o murmúrio geral, ao que eu retruquei: vocês me escolheram? Agora “güenta”, hehe… )

E continuei:

… o termo paraninfo tem atualmente, um significado diferente do original. Antes, significava uma espécie de padrinho dos noivos”, do grego ‘para’ (junto) e ‘nymphe’ (noiva). A proteção aos noivos deveria ocorrer antes, durante e depois do casamento. Um tipo de padrinho com responsabilidades determinadas. Hoje, o paraninfo é o padrinho dos formandos. É como se fosse um pai da turma. E, no meu caso, a mãe de vocês.

Pensei, a princípio, em discorrer sobre sua trajetória acadêmica até chegar a este momento, mas, optei por lhes falar do relacionamento com vocês e de tudo o que tal convivência representou para mim. Peço licença à mesa e aos presentes, para dirigir-me diretamente aos formandos.

Vejo vocês, formados, e sinto diferentes emoções: primeiramente a de um professor, feliz por ver que de alguma forma contribuiu para lhes trazer algum ensinamento; a emoção de uma mãe, ou de um pai, ou avô, ou avó, que vê seu garotinho ou garotinha tornar-se um jovem e iniciar uma nova fase na vida. E a emoção de uma amiga que compartilha a alegria da formatura de seus amigos.

E, como professora, mãe e amiga, peço-lhes algumas pequenas grandes coisas:

Gostaria de que mantivessem sempre viva a vontade de aprender. Não apenas em sua área, na especialidade que vocês escolheram, mas, sem preconceito ou qualquer vaidade, aprendam sobre tudo. Enriqueçam-se com leituras de qualidade e outras fontes de informação, busquem recursos tecnológicos para enriquecer suas experiências culturais. Utilizem aquilo que aprenderam em sala de aula, e busquem mais; não se contentem com o pouco que nós , professores, lhes ensinamos; busquem mais. Quero vocês, ousados e determinados. Mas também humanos, éticos e responsáveis em suas atitudes com o meio social e o meio ambiente em que vocês estão inseridos.

(E, voltando-me para os professores presentes eu disse: “agora, vou ‘puxar a brasa para a minha sardinha’ “.)

E continuei:

Lembrem-se das obras estudadas durante o ano para o vestibular. (a turma riu.) A maioria delas trata dos problemas referentes a relacionamento entre as pessoas e a realidade. Lembrem-se das reflexões que fizemos em sala de aula. Aprendemos muito com Mestre Carpina, Fabiano, Sinhá Vitória, Madalena, Paulo Honório e tantos outros. Se estes problemas são temas de romances clássicos e universais, conclui-se que são temas importantes em nossa vida.

Este é um momento muito especial. Inesquecível. Imagino o que vocês estão sentindo neste momento, e o que esta formatura representa para vocês. Para alguns a realização de um sonho, para outros a conquista de uma vitória cheia de obstáculos. Muitos enfrentaram muitas lutas e dificuldades para chegar até aqui. É um momento de alegria, orgulho e emoção para os seus professores, por mais esta etapa cumprida, para seus pais, avós, irmãos e amigos presentes.

Meus queridos alunos da turma 1301, a convivência com vocês, certamente deixou em mim uma nova maneira de encarar a vida, especialmente em um momento em que ela só me deixara lembranças muito pesadas. E naquele momento, em que a vida estava tão pesada para mim, transferi para vocês, todo meu afeto. Obrigada por estes momentos que passamos juntos, por nossos projetos, e obrigada pela honra de ministrar esta última aula a vocês.

Agradeço a Deus, por nos abençoar, nos dar graça e paciência para chegarmos até aqui. Desejo tudo de melhor para vocês, como uma mãe deseja tudo de melhor para um filho. Como tudo de melhor que desejei para o meu filho. (Neste momento, a voz ficou embargada e as lágrimas vieram).
Felicidade e muito obrigada.”

À noite, houve uma linda festa. Muita alegria e descontração. Ainda não recebi as fotos, (já recebi algumas hoje, domingo) mas , pelo telão, vi que ficaram lindas. enxerguei em cada um daqueles rapazes e moças, tão alegres, tão lindos, dançando com tanta energia, vocês sabem quem

 

festa1301dez.jpg

Bem, missão cumprida. E a alegria do trabalho realizado com amor. E pelos amigos que conquistei.

fotos:

  1. minha querida turma 1301 e eu, no discurso de paraninfa
  2. Eu, de bruxinha, alguns professores e a turma, na festa de formatura
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Ai, minha cabeça!

November 15th, 2007 Denise Posted in Clarisse, a princesinha, Pessoal, Trabalho, Viver, casos de escola 8 Comments »

Ontem tive uma crise de enxaqueca terrível. Foi um dia perdido, sem forças, de cama a maior parte do tempo; parecia de porre. Passei o tempo todo deitada porque a luz do dia dóia. Qualquer barulho incomodava. E o telefone que não parava de tocar. Ai, Jesus! Só chateações. A escola me cobrando as notas. Ligou três vezes. E, cadê ânimo pra sentar-me ao pc e lançar as benditas? Vão ter de esperar! Não tinha forças nem para me levantar.

Nos momentos em que a dor era mais intensa, eu ficava imaginando que teria um derrame e que minha hora chegara. Pensava nas contas a pagar que minha filha herdaria. Nos cochilos rápidos, sonhava com meu menino. E o telefone a tocar… Apenas um telefonema me alegrou: o da Marcia Clarinha. Uma voz suave e amiga, era tudo de que eu precisava.

À noite, já sem dor, mas com um desânimo e uma sonolência terríveis, tive de ir à outra escola, pois a chefia anda descontando uma nota preta de quem falta. Tsc… tsc… tsc…. Véspera de feriado. Todas as turmas faltaram. Salas vazias. Adivinhem qual foi a única turma que compareceu? Pois é. Fizemos um painel com reflexões sobre o preconceito, aproveitando o tema de um filme a que assistíramos no dia anterior. Ficou muito bonito. Dispensei a turma mais cedo. Não tinha outro jeito.

Hoje estou sentindo os efeitos da enxaqueca: cansaço fora do comum. uma moleza estranha, cabeça meio dolorida e um sono danado. Parece que estou de ressaca. E a Princesinha quer brincar: “vovó, faz uma casinha pa mim?” E sobe em meu colo, por baixo da escrivaninha, enquanto tento desesperadamente lançar as notas no sistema. Aperta uma tecla, eu grito: “meu trabalho!” Ela chora: “Vovó bigou…” Vou brincar com ela. As notas? Bem, hoje é feriado. Elas podem esperar.

imagem daqui
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Exames finais

November 9th, 2007 Denise Posted in Pessoal, Trabalho, casos de escola 4 Comments »

provas-finais.jpg
trabalheira de sempre

Estamos realizando as avaliações finais. Os prazos para a entrega das provas é bem curto. Então, como ainda tenho onze provas para preparar, digitar e enviar; e também ainda tenho nove pacotes de provas já realizadas para corrigir, com o prazo mais apertado ainda para entregá-las aos alunos, para que possam ver suas médias e saber se estão aprovados ou se terão de fazer as provas finais; vocês já sabem que eu ficarei sem responder os comentários, mas leio-os todos os dias, e visito alguns @migos, na medida do possível. As aulas continuam em ritmo frenético. Assim que eu cumprir toda a minha “lição de casa”, volto a postar com mais freqüência. Fiquem bem quietinhos aí, ouviram? A tia já volta.

imagens: pescadas no Google

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Nos bancos escolares outra vez

November 6th, 2007 Denise Posted in Pessoal, Projeto de leitura, Trabalho, casos de escola 9 Comments »

princesa-e-autores.jpg

Hoje tive uma experiência extremamente gratificante! Era dia de apresentação de trabalhos de meus alunos da 3ª série. Eu não imaginei que eles fossem fazer algo tão surpreendente, pois, como já estavam envolvidos com a monografia de fim de curso, a bobinha aqui pensou que eles iam literalmente “embrulhar e mandar” o trabalho que sugeri, uma vez que não era obrigatório fazê-lo. Ledo engano. Subestimei a capacidade deles. Foi uma beleza de apresentação, com data show, slides no power point, som e imagem e um conteúdo muito bem estudado e pesquisado. E eles escolheram os autores preferidos por mim. Não sei se minha paixão foi percebida por eles, mas o fato é que apresentaram nada mais, nada menos que o seguinte:

O primeiro grupo me surpreendeu com um trabalho sobre Clarice Lispector! Começaram com dados biográficos interessantes e opiniões da autora sobre seu fazer poético. Mostraram um perfil de Clarice, analisaram a temática de suas obras. Analisaram algumas de suas obras, mostrando a relação entre os conflitos dos personagens e os da autora. Mostraram a reflexão sobre a existência e a epifania através de exemplos da linda obra de Clarice. Fiquei encantada! A qualidade dos trabalhos e a beleza de apresentação me emocionaram!

Outro grupo selecionou o meu mais querido poeta: Carlos Drummond de Andrade. Além das análises de poemas mostrando características interessantes de sua obra, o grupo me presenteou com alguns poemas recitados pelo próprio Drummond: Consolo na praia e Infância. Mostraram depoimentos do autor sobre sua obra e a politica. Sua relação com a morte da mulher e da filha, que culminou com a dele também. Seu sentimento do mundo e o desconcerto do poeta. Imagens lindas de Drummond, em diferentes fases de sua vida coroou o trabalho. Amei!

E, pra acabar de uma vez comigo, Gracilianos Ramos! E eu que pensava que eles não agüentavam mais ouvir falar sobre sertanejos, retirantes, problemas sociais e estas coisas que a gente tem de analisar nas obras por causa do vestibular. Pois bem, mais um espetáculo de apresentação da vida e obra do autor, seu lado político que culminou em sua prisão; as experiências fora do país; sua linguagem precisa, extremamente significativa. De Caetés a Angústia, sem deixar de falar sobre Vidas secas e o sertão de cada um de nós. Viajei pelas obras, junto com eles.

É claro que cada vez que eu interrompia para perguntar algo ou fazer alguma observação, eles ficavam nervosos, mas logo percebiam que estava apenas entusiasmada , como um aluno interessado querendo saber mais, he he. Sentada no fundo da sala, absorvia cada palavra,cada gesto, cada expressão deles. É muito bom sentar do outro lado! Gostaria de ter aulas assim mais vezes, porém a pressão do vestibular e o compromisso de dar todo o conteúdo e usar o livro até o fim, aliados à grande quantidade de provas que eles têm de fazer, acabam nos privando de momentos maravilhosos como este.

Para a próxima semana estão planejando a encenação de um quadro , baseado na obra de Monteiro Lobato. e para entrar no clima, nada melhor que a Princesinha vestida de Emília, he he! Fiquei feliz com o resultado, pois lancei o projeto e dei liberdade para o fazerem se desejassem. E também quem definiria o que iriam fazer seriam eles mesmos, de modo que o trabalho ficou mais prazeroso. Achei interessantíssimo quando uma aluna disse que não gostava de Clarice, mas, após ler e compreender a vida da autora, pôde entender melhor sua obra e gostar da mesma. E terminou sua exposição dizendo: “leiam Clarice!” Ganhei o dia!

Eu, metida como sou, aproveitei para dizer que conheço o neto de Graciliano e fiz uma propagandazinha dos livros do Ricardo Filho. Depois eu cobro, hein, Lord! He he… E, olhando as caricaturas do Graciliano e da Clarice, fiquei pensando em como tive vontade de ganhar uma caricatura no Barcamp; mas, só quem era indicado é que recebia esta honra… Também não perdi a oportunidade para falar que a minha Princesinha também se chama Clarisse, com dois esses. E, finalmente, ao ver a última imagem, a de Drummond, sentado no banco, na praia de Copacabana pensei alto: “ainda tiro uma foto sentada ao lado dele!

Vou sentir falta destes meninos . No próximo ano estarão na Universidade. Lembro-me de meu filho. É inevitável… Mas estou feliz. Com o coração apertado, mas feliz. Suspiro… que fundo… (parafraseando Drummond).

imagens:
Estátua de Drummond, praia de Copacabana Rio
caricatura de Graciliano Ramos- daqui
caricatura de Clarice Lispector - Pedro Henb

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Curtinhas

October 13th, 2007 Denise Posted in Blogagem coletiva, Meio ambiente, Trabalho, educação e ensino 7 Comments »

I- Professores

Dia 15 de outubro é comemorado o dia do professor. Uma aluna questionou por que não há aula neste dia, se o marido dela é bancário e trabalha no dia dos bancários. Eu não respondi nada. Vou passar o dia corrigindo provas e preparando outras tais. Se aparecer algum evento, talvez eu largue minhas obrigações e vá. A desvalorização do magistério chegou a tal ponto que não quero discutir o assunto. Na verdade, trabalho tanto em casa quanto nas escolas. É uma jornada de quase dezoito horas. Este dia é uma homenagem aos mestres e também um dia de reflexão sobre a educação. Acredito que temos um papel importante a cumprir e, graças a Deus, tenho feito minha parte. Meu respeito e carinho a todos meus mestres que me auxiliaram a conquistar meus objetivos e me ensinaram a refletir sobre a vida e a fazer escolhas conscientes.

II - Prêmios e memes

Sinto-me literalmente abraçada quando @migos, carinhosamente citam meu blog em suas homenagens, em seus prêmios, nos memes e em correntes que se propagam pela blogosfera. Eu, particularmente, não me sinto à vontade para passar correntes, pois o fato de ter de escolher entre este ou outro amigo é tarefa difícil demais para mim. Então, apenas citarei as homenagens e agradecerei aos amigos que me indicaram e deixarei todos à vontade para postarem também a respeito. Bem, a Aninha me enviou a “Corrente da Amizade ” cujo objetivo é agradecer a gentileza de compartilhar artes, pensamentos e um pouco da vida com outros blogueiros, em nossos posts. Quanta gentileza! Já a Luma passou-me “O Elo da Corrente da Amizade”, um prêmio atribuído a blogs que tenham “amor” à Terra, a solidariedade, a preocupação com a natureza, e muitos outros valores fundamentais que parecem estar cada vez mais extintos de nossas vidas. Obrigada @amigas!

III- Action Day

Amei os prêmios recebidos e aproveito para convidar, ou melhor, convocar todos que têm tal preocupação com o meio ambiente a postarem no dia 15, dia da Mobilização mundial dos blogs para falar sobre um tema único. O tema desse ano é Meio Ambiente. Participe! Faça um post em seu blogue, relacionando o tema do mesmo, à questão ambiental: A data é especial e todo blog, independente do assunto de que trata normalmente, é convidado a participar do evento. Blogs de viagem podem, por exemplo, discutir sobre ecoturismo; blogs de piadas, fazer reflexões bem-humoradas sobre a questão ambiental - e assim sucessivamente. Cadastre seu blog no site do Blog Action Day e prepare o post. Publique no dia 15 de outubro em seu blog!

Participe!

15 de outubro: dia de falar sobre meio ambiente na blogosfera.

Imagens: 1- eu na luta; 2- papelada, 3- meme ; 4- Action day.

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Cansaço…

August 10th, 2007 Denise Posted in Pessoal, Trabalho 8 Comments »

 

Esta semana não apareci por aqui, nem respondi aos comentários, mas li-os todos. Estive trabalhando muito, pois duas colegas de trabalho tiveram problemas de saúde, e eu as substituí. Jornada tripla: manhã, tarde e noite. Então, ando dormindo em pé. Amanhã, pretendo fazer post novo. Beijos e até já.

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Bebês na escola?

June 15th, 2007 Denise Posted in Trabalho 12 Comments »

 


Uma questão que me deixou muito triste esta semana, foi a das “mães estudantes" que não têm onde deixar suas crianças para irem às aulas. Eu passei a semana toda muito irritada com essa situação, pois algumas alunas do curso noturno estavam trazendo os filhos pequenos e até bebês, que choravam, corriam pelos corredores, gritavam e até se machucavam.

Enquanto o problema estava em outras salas de aula, eu me limitava a achar um absurdo e a dizer que, quando essas mães viessem a ser minhas alunas, que eu não aceitaria as crianças na sala de aula.

Mas, esta semana aconteceu! Uma aluna trouxe seu bebê e enfrentou a professora quando esta lhe disse que não poderia ficar com o bebê. A aluna disse que o agente administrativo a havia deixado entrar. Achei um absurdo, mas não fiz nada porque a aluna não estava em minha sala de aula. Mas reafirmei que se fosse comigo eu a mandaria embora para casa.

Porém, quando entrei em minha sala de aula, deparei-me com uma adolescente e seu bebê no colo! Eu já entrei na sala dizendo para ela que não poderia ficar, pois eu não admito trabalhar com crianças dentro da sala de aula. Eu estava muito irritada com a situação da outra menina que "peitou" a professora.

A aluna então, levantou-se e foi para outra sala de aula, onde também havia outras mães estudantes com seus filhos, e lá ficou alguns minutos. Achei um absurdo ela ter feito isso e desci para falar com o agente responsável pelo turno. Contei o ocorrido e perguntei-lhe se as alunas haviam pedido autorização a ele para assistir aula com os bebês. Ele respondeu que não e subiu até as salas de aula para tomar satisfações com a aluna que havia dito que ele a autorizara ficar com o bebê.

O que aconteceu em seguida foi muito desagradável. Eu ainda estava muito irritada com a situação, quando a aluna saiu da sala e, já no corredor, disse ao agente que ele não devia ter chamado a atenção dela na frente da turma e sim, chamado-a para falar em particular. Disse que ele era mal educado, ao que ele retrucou dizendo que ela era uma mentirosa.

A discussão durou alguns minutos e ela começou a chorar. Um professor tentou conversar com ela e fazê-la entender que não era bom para a criança ficar ali, e que não havia estrutura na escola para atender as crianças. A propósito, na semana passada, uma das crianças caiu e se machucou, pois não paravam de correr pelos corredores.

Quando vi a menina chorando, e a maneira gentil como o professor falava com ela, senti um aperto no coração e pensei que o que estávamos fazendo era uma crueldade. Como se elas tivessem de optar entre o direito à maternidade e o direito à educação. Elas levam os bebês por não ter outra opção. Ou levam os filhos para a sala de aula ou abandonam a escola.

O caso foi levado à Direção que determinou que não deveríamos permitir que as crianças viessem junto com as mães. Hoje, algumas dessas mães, que foram avisadas ontem de que não deveriam trazer as crianças, vieram com novamente com seus filhos e, as professoras pediram que elas voltassem para casa.

E a minha aluna hoje veio sem o bebê, mas, quando entrei em sala de aula, ela se retirou e foi embora. Senti-me uma “carrasca”. Mas os outros alunos aprovaram a proibição, pois acham que as crianças atrapalham o andamento da aula. Mesmo assim, estou muito constrangida com a situação. Penso em como deve ser difícil para essas mães estudantes se concentrar na escola, pensando no filho que ficou em casa, ou com a vizinha, ou até mesmo sozinhas.

O direito à creche para as mães estudantes é uma questão que precisa ser olhada com atenção pelo Governo. É enorme a taxa de gravidez na adolescência e o número das meninas que abandonam a escola quando o bebê nasce também é grande. É necessário que se criem condições para que essas mães estudantes possam ser atendidas, de alguma maneira. O ideal seria que houvesse um lugar adequado para essas crianças, com uma pessoa responsável e capacitada para cuidar das crianças, enquanto as mães assistem às aulas.

Outra opção seria a criação de uma creche alternativa, em que a escola disponibilizasse um espaço e as próprias mães se revezassem para cuidar das crianças. Isto se a Direção da escola permitisse tal ação. Mas, nem sei se daria certo este revezamento. Será que elas conseguiriam ficar com tantas crianças dentro de uma salinha? Seria necessário haver uma pessoa qualificada para lidar com elas. E, se algo acontecesse com as crianças, a escola seria responsabilizada por não oferecer condições para que tal “creche” funcionasse.

Conciliar estudo e maternidade não é fácil. Um dos principais motivos de abandono da escola é a falta de infra-estrutura para as adolescentes com filhos. Estou muito constrangida e preocupada com esta situação. Isto me incomodou tanto ontem, que amanheci passando muito mal, e assim fiquei o dia inteiro. Tomara que a situação dessas meninas tenha uma solução satisfatória. Para elas e para os bebês.

imagem daqui

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