Inativos ou vagabundos?

May 1st, 2008 Denise Posted in Pessoal, Trabalho, sociedade 7 Comments »

A possibilidade de me aposentar é uma tentação e, ao mesmo tempo, uma temeridade. Após 32 anos de serviço, diminuir o ritmo de trabalho é uma necessidade que, no entanto, se constitui em uma punição em vez de um prêmio. Explico-me: com a aposentadoria, os proventos terão uma redução de 30 por cento, que é uma diferença significativa. Isto significa que será preciso continuar a trabalhar, mesmo que seja sem vínculo empregatício, ou ‘freelancer’, para compensar a perda.

Trabalhar como ‘freela’ é algo que me atrai pela possibilidade de gerenciar meus trabalhos e projetos de forma independente, com horário de trabalho mais flexível. Aliás, já faço alguns trabalhos, mas sempre por opção e prazer, e não apenas pela remuneração. O que realmente causa indignação é o fato de ter trabalhado por mais de 30 anos em uma instituição e, ao desejar parar, ser penalizada com o corte no orçamento.

Tenho outros trabalhos, em outras instituições, pois, no Brasil, professores (e outros profissionais também) precisam trabalhar, muitos até os 70 anos, ou mais. Porém, no meu caso, a aposentadoria voluntária, em apenas uma das instituições em que trabalho, não extingue a possibilidade de continuar trabalhando. Parece ilógico continuar em atividade, enquanto pela Previdência Social se é reconhecido como inativo. Porém, no Brasil, muitos empregados requerem, espontaneamente, sua aposentadoria e isso não corresponde à extinção da atividade. A Previdência paga aposentadoria a quem, de fato, continua trabalhando.

Na realidade, ninguém deseja, ou não pode, sair do mercado de trabalho. Parece até um golpe contra a Previdência: aposentados que continuam trabalhando em outras empresas. Um ex-presidente já os acusou de vagabundos que se locupletam de um país de pobres e miseráveis’. Então eu penso: se estou em plenas condições laborativas, como atestou meu médico, por que requerer a aposentadoria e ‘mamar’ dos cofres públicos, como já insinuou aquele chefe de governo? Será que deveria trabalhar enquanto puder, para engrandecimento do País e não usufruir a ‘inatividade’ para meu benefício pessoal? Estou sendo sarcástica?

Avaliando meus objetivos e a realidade que possuo - carro, casas, e mesmo dinheiro - e o que realmente importa, penso que gastei muito tempo para construir algo material e, muitas vezes, negligenciei a família e os amigos, pois não tinha tempo para eles. Onde estão eles agora? (suspiro…) Valeu a pena? De que adianta trabalhar tanto para ter algo, e não poder desfrutar o que se conquistou com as pessoas queridas? Então, mesmo perdendo financeiramente, e , engrossando as fileiras de ‘vagabundos’, tenho de decidir se me aposento ou não. Confesso que é uma decisão difícil: trabalhar até morrer ou me aposentar e continuar trabalhando para ter como pagar as contas?O que vocês fariam?

imagem daqui

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A vida por um canudo

February 20th, 2008 Denise Posted in Faça sua parte, Meio ambiente, Rede Ecoblogs, sociedade 4 Comments »

A querida Aleksandra enviou-me a dica deste post sobre a invenção de um aparelhinho, parecido com um canudo, que filtra a água suja tornando-a potável. "O purificador portátil tem capacidade para filtrar até 700 litros de água suja ou 350 litros de água salgada."

"Seu uso elimina, de acordo com o fabricante, microorganismos causadores de diarréia, disenteria, tifóide e cólera, além de salmonela e outras bactérias causadoras de doenças." O mais interessante é que o custo é de cerca de U$3,00 e qualquer pessoa pode doar um aparelhinho, através desse site, para alguém que precise urgentemente de água potável, como as populações africanas.

Para nós, que ainda dispomos deste recurso natural, a escassez de água pode parecer um problema tão distante. No entanto, se continuarmos neste ritmo de desperdício e poluição, logo estaremos também tendo de pagar um preço elevado para ter acesso a este bem tão precioso.

"Atualmente, a população africana sofre as conseqüências combinadas de pouca água superficial limpa, calor, pobreza, subdesenvolvimento e guerras, e já está convivendo com escassez de água. Agravando a situação dos africanos, há a falta de vegetação e de umidade na natureza."

É preciso que cada um de nós faça a sua parte e ajude a preservar a água que ainda nos resta.


Clique para doar um aparelhinho

Fontes:
Doações do purificador de água
Energia eficiente
USP - água

Publicado também no Faça a sua parte.

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Por que os homens amam a guerra?

February 16th, 2008 Denise Posted in paz, sociedade, violência 8 Comments »


Cemitério das vítimas norte-americanas
em Colleville, na Normandia

Assisti ao documentário UM BRASILEIRO NO DIA D, um relato feito pelo baterista Barone, do grupo Paralamas do sucessso, o qual encontra o único brasileiro conhecido que participou do Dia D: o franco-brasileiro Pierre Closterman - nascido em Curitiba em 1921, falecido em março de 2006 - que foi o maior ás da aviação francesa durante o conflito.

No seis de junho de 1944, o Dia-D, em uma enorme operação militar aeronaval, 155 mil homens dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia, região da França Atlântica, dando início à libertação européia do domínio nazista.

Transportados por uma frota de 14.200 barcos, protegida por 600 navios e milhares de aviões, asseguraram uma sólida cabeça-de-praia no litoral francês e dali partiram para expulsar os nazistas de Paris e, em seguida, marchar em direção à fronteira da Alemanha. Era o início do colapso final do III Reich, o império de Hitler.

Assisti também ao especial, Os últimos dias de Hitler, um relato da secretária pessoal do Führer, uma biografia que inspirou o roteiro do filme A Queda,a que não assisti ainda, e que marcou a história docinema por tentar mostrar o lado sensível do homem que se tornou a personificação do mal. É o testemunho fiel de Traudl, uma jovem que durante três anos conviveu diariamente com o ditador alemão – foi para ela, inclusive, que Hitler ditou seu testamento, dois dias antes de se suicidar.

Apesar de Hitler ter sido um tirano tão cruel, sua enfermeira Erna afirma que não tem nada contra o ditador. "Ele se mostrou sempre cortês e encantador. A sua autoridade era extraordinária." A secretária de Hitler, Traudl, também afirmava que ele era sempre tão gentil, e que não compreendia como podia dar ordens tão terríveis.

Fiquei refletindo sobre o fascínio que a guerra e os ditadores exercem sobre os homens. É um jogo de sedução e poder. Milhões são gastos na preparação e execução de uma guerra. A indústria bélica, cada dia mais sofisticada, gera milhares de empregos. Cada ditador, digo, chefe de Estado, procura aumentar e exibir seu poderio bélico e econômico. Há um interesse político e econômico intenso para que a guerra não pare de existir.

"Flávio Rocha de OLIVEIRA, cientista político, vê a guerra como uma solução ou prática política, quando as demais soluções políticas amigáveis fracassaram…Trata-se de um jogo político de forças, em que o mais forte tenta impor-se ao mais fraco." [OLIVEIRA, Flávio Rocha. O Jogo da Guerra. In: Revista Jurídica Del Rey, BH – Ed. Del Rey, nº 10,p.11,2003]

Os homens fazem a guerra porque ela lhes dá muito lucro e intenso prazer. As conseqüências dela parecem não sensibilizar os ávidos por poder econômico e territorial. "De onde procedem guerras e contendas, que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? (Tg 4.1). As guerras e conflitos têm sua origem na cobiça humana, na maldade que habita suas mentes.

Durante o documentário, Pierre Closterman diz algo assim : "… espero que os homens aprendam a lição e não façam isto de novo. Mas eles fizeram!". Sim, minha gente, eles fizeram, e continuam fazendo, porque lhes falta paz, amor, compreensão, solidariedade, enfim, falta Deus em suas vidas. Há os que lutam em nome de Deus. Não acredito neste Deus que justifique a guerra. Não é o meu Deus, definitivamente, não é.

Que a paz do Senhor, que excede a todo o entendimento, guarde os vossos corações e vossos pensamentos em Cristo Jesus … (II Tessalonicenses 3.1-2)

foto daqui
Fontes:
http://historia.abril.com.br/2006/hotsites/barone.shtml
http://www.mundolegal.com.br/?FuseAction=Doutrina_Detalhar&did=20134

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Ah, se eu tivesse asas…

February 14th, 2008 Denise Posted in Meio ambiente, sociedade 8 Comments »


Meu Deus! Voltei a trabalhar estes dias, e já havia me esquecido do caos que é o trânsito no Rio de Janeiro! Santo Cristo, quantos carros! E mais que os carros, um nervosismo fora do comum, as pessoas querendo que a pista se alargue como um elástico para que possam passar todos ao mesmo tempo! Ninguém quer ficar para trás! Que stress, digo , que agitação (que o deputado Aldo Rebelo não me censure pelo estrangeirismo), que inferno no trânsito!

E o resultado não podia ser outro: um engavetamento de um ônibus e cerca de cinco carros, na avenida Brasil. Parecia um enorme sanduíche de veículos. Ninguém se feriu, mas vão demorar muito para chegar em casa. Por que as pessoas vivem correndo?

A gente vive lutando para diminuir o excesso de carros nas ruas, para reduzir o impacto dos gases poluentes sobre o meio ambiente. Os gases que saem dos escapamentos são responsáveis por 40% da poluição nas grandes cidades! A cidade fica escura, com a fumaça negra que sai dos ônibus e demaisveículos.

Ás vezes penso que é uma luta insana. Os ônibus e metrôs estão superlotados, a viagem até o centro leva tempo demais. Há muitos carros e poucos ônibus. E, na maioria dos casos, um carro para uma pessoa apenas. Não vejo vontade , nem política, nem pessoal, para diminuir este caos. Quem já sofreu horas em um coletivo lotado, não abre mão de um carro. Realmente é um problema de difícil solução.

Estou exausta! E hoje foi o segundo dia de trabalho. Este ano promete. Nestas horas eu queria poder voar… Em segundos chegaria ao trabalho. E mais rápido ainda estaria em casa. Sem combustível, sem poluição, sem stress, ops, sem nervosismo. Sonhar pode, não acham?

imagem daqui

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O poder da arte e os políticos

January 28th, 2008 Denise Posted in sociedade 9 Comments »

Não é de hoje que os políticos usam o poder da arte para persuadir o povo. Desde tempos remotos, a arte esteve limitada, controlada pelos políticos. Antes, a imagem pintada, esculpida, desenhada; hoje, os recursos tecnológicos ilimitados, servem como instrumento de propaganda, diga-se de passagem, de grande poder.

Mesmo os artistas apolíticos, ou não engajados com a esquerda ou direita, que reivindicam para si o direito de assumir qualquer posição, ao construírem suas obras assumem uma postura crítica diante da realidade, mesmo em um universo fictício, pois revelam uma realidade que não é possível em nosso mundo real. Levam-nos, então, a pensar, a questionar sobre esta outra possibilidade de mundo.

E os políticos utilizam-se da arte como instrumento de poder, seja para se perpetuar nele, seja para derrubar seus opositores. Uma propaganda bem articulada tem o poder de influenciar as mentes de seus eleitores de forma sutil e aparentemente inocente. Inspiram confiança, mostram um mundo melhor, prometem um futuro com inúmeras possiblidades. Projetam uma imagem pessoal idealizada pela população, mostram exatamente aquilo que o povo quer ver.

Assim, a arte pode transformar um ditador sanguinário em um embaixador da paz, e vice-versa. A História revela isto. Desde que um imperador colocou sua imagem na moeda que circulava pela mão do povo, ou mandou esculpir uma estátua em sua homenagem, já percebemos o poder da arte trabalhando para divulgar a imagem de seus governantes. Assim, uma vez seduzido, o povo torna-se presa fácil e é induzido ao erro nas urnas.

Hoje em dia, não mais em moedas, nem em estátuas, mas na mídia e na internet, os políticos utilizam-se da arte através de novas tecnologias para para convencer o povo de que as desigualdades e injustiças são naturais e que nem sempre os problemas serão resolvidos. E nós, mortais, somos arrastados pela beleza e sedução de sua propaganda. Sim, porque somos vulneráveis à persuasão da arte.

Cabe aqui a pergunta: os artistas produzem suas obras com consciência e responsabilidade, visando ao bem do povo, ou eles também estão seduzidos pelo poder econômico e político que os controla?

imagem daqui

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