Ainda há muito pelo que lutar!

March 8th, 2008 Denise Posted in Família, Mulher, violência 16 Comments »


Imagem daqui.

Bem, vamos lá:

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher, um dia que muitos julgam ser ‘festivo’, mas, convém lembrar que tal foi criado para refletirmos sobre a trajetória da mulher ao longo dos séculos. Muita gente ainda desconhece, ou ignora que este dia foi criado em memória das 129 tecelãs que, em 1857, em Nova Iorque, foram mortas carbonizadas dentro da fábrica onde trabalhavam, por organizarem uma greve por melhores condições de trabalho, contra a jornada de doze horas, e contra abusos e violências de que eram vítimas.

Então, é necessário que haja discussões sobre o fato de que, embora tenhamos conquistado muitos direitos que nos eram negados, ainda há muito pelo que lutar contra os abusos históricos cometidos contra as mulheres. Está na hora de haver uma punição mais severa para os agressores - espancadores de mulheres e estrupadores. Basta de pagamento de cestas básicas e a volta do agressor ao convívio com a família que o denunciou! Isto inibe as mulheres que passam a não denunciar os abusos por falta de proteção. Revoltante!

Chega de violência doméstica e de exploração como ‘escrava’, dentro de casa, em triplas jornadas de trabalho! Basta de tanta desigualdade salarial, de tanta desvalorização da mulher na música, na mídia! Chega de contaminação, pelo próprio parceiro, com doenças como AIDS, HPV e outras! Chega de humilhações culturais, de discriminações! Basta!

Então, hoje não é dia de flores e nem de bombons, mas de muita ação.

Visite o Portal da Violência Contra a Mulher e veja a pesquisa com estes, entre outros dados:

  • Em cada quatro entrevistados, três consideram que as penas aplicadas nos casos de violência contra a mulher são irrelevantes e que a justiça trata este drama vivido pelas mulheres como um assunto pouco importante.
  • 54% dos entrevistados acham que os serviços de atendimento a casos de violência contra as mulheres não funcionam.
  • 64% acham que o homem que agride a mulher deve ser preso (na opinião tanto de homens como mulheres); prestar trabalho comunitário (21%); e doar cesta básica (12%). Um segmento menor prefere que o agressor seja encaminhado para: grupo de apoio (29%); ou terapia de casal (13%).
  • 33% dos entrevistados afirmaram que “Quando o marido fica sabendo, ele reage e ela apanha mais”; 27% responderam que não acontece nada com o agressor; 21% crêem que o agressor vai preso; enquanto 12% supõem que o agressor recebe uma multa ou é obrigado a doar uma cesta básica.
  • Por outro lado, 49% concordam que, de maneira geral, a Justiça brasileira pune os agressores e 60% acham que isso acontece nos casos de homicídios de mulheres.

Precisamos ter fé que ainda há esperança para esta humanidade. Esperar a mulher morrer para, então punir rigorosamente o agressor é algo incompreensível para se aceitar. Mas, mesmo com tanto sofrimento, é bom lembrarmos que há muitas mulheres que venceram preconceitos, humilhações e dificuldades diversas, e estas merecem nossa admiração como símbolo de resistência e coragem. A todas, meu carinho e meu respeito.

Veja o post da Lucia Malla sobre as Mulheres que fazem, em nosso blog Faça a sua parte.

Imagem daqui

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Rótulos nas roupas

May 6th, 2007 Denise Posted in Mulher, Pessoal 12 Comments »

all.jpgO Tênis All Star é usado por todo tipo de pessoas: adolescentes, jovens , adultos; e por todo tipo de turmas, como : publicitários, roqueiros, jornalistas, produtores, médicos, professores, etc, etc. Eu os uso porque o preço é acessível, é bom, é bonito e confortável. Gosto do modelo pretinho básico. Combina com tudo e fica bem no pé. É um absurdo alguém pagar centenas de reais por um tênis em um país cujo salário mínimo vale o mesmo que um par dessas marcas famosas!

O interessante porém, eu diria, intrigante até, é que pessoas que se vestem apenas de preto e calçam tênis All-Star são rotuladas de roqueiras. Eu só uso tênis pretos! E, como também só uso roupa preta (por razões pessoais), já fui indagada se estava indo a um show do Sepultura (grupo de rock). Um menino me perguntou: “tia, você é roqueira?”, “não, por quê? “por causa do All Star preto”.

Acho graça disso tudo. Não sou roqueira. Gosto mesmo é de MPB, de baladas românticas, de música clássica. Gosto do Roupa Nova, dos Skanks, do Jota Quest. Mas não sou roqueira. Apenas gosto de roupas pretas. E do All Star preto.

Não tenho estilo fixo. Visto-me de acordo com o lugar em que pretendo ir. Tenho de acompanhar o estilo da empresa em que trabalho. Pela manhã, quando estou em um colégio mais tradicional, de filhos de “bacana”, a norma é que os professores se vistam de maneira mais formal, sem jeans, camiseta ou tênis. E o uso do jaleco é obrigatório.

Chega a ser engraçado, quando temos uma reunião ou evento fora do horário de aulas, pois os professores aparecem de bermudas, tênis, jeans surrados, um barato! Já nos colégios mais populares, uso meus jeans, meus tênis, minhas sandalinhas rasteiras, uma beleza! E nada de jaleco!

 

 Como uma professora, que trabalha dinamicamente, fico muito tempo em pé, locomovo-me pela sala de aula, me sujo de tinta do pincel e das canetas. Como posso me vestir com elegância, sem perder o conforto? Tenho de usar calças sociais, aquelas sintéticas, salto alto (prefiro as sandálias anabelas) e jaleco, em um momento, e jeans e tênis em outra. Imaginaram a figura?

O que a roupa que usamos diz de nós? deny.jpg

Os rótulos baseiam-se nas características visíveis das pessoas, como as roupas, corte de cabelo, tatuagens, coisas assim. E podem até indicar preconceito ou orgulho. E mostram também a forma como as pessoas se relacionam umas com as outras. As pessoas nos tomam por aquilo que parecemos ser. Mas, em português bem claro, não tô nem aí para o que dizem, pensam ou falam.

Bem, como já frisei antes, tô nem aí para roupa. Gosto de me sentir confortável, com roupas práticas, mas sempre pretas, e poucos acessórios, que são os de prata. Talvez seja por isso que me perguntaram se sou roqueira. Nada estranho, pois se o Serguei, setentão, é roqueiro, por que eu não o seria? Acontece que não o sou.

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Reciclar é ‘fashion’

March 10th, 2007 Denise Posted in Meio ambiente, Mulher, Rede Ecoblogs 13 Comments »

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Nova roupa velha

Aquela roupa velha de que a gente gosta tanto pode ficar com cara nova e exclusiva, basta um toque de criatividade para customizá-la. Customizar é dar um toque pessoal a roupas, transformando uma peça antiga ou ultrapassada em algo novo, com recortes, apliques e costuras, resultando em uma roupa nova, bem pessoal.

As ferramentas

Com algumas ferramentas básicas: cola para tecidos, linhas, agulhas, tesouras, pedaços de renda, e a gente já está pronta para customizar nossas roupas e ter peças "novas" no armário sem gastar quase nada.

Aplicação de ilhoses ou aviamentos de efeito pregados por máquinas, uso de fitas coloridas, imagens estampadas em série, modelagem diferenciada, tecidos com cara antiguinha (na roupa toda ou só como retalhos em barras, mangas, decotes.

Mãos à obra!

Sua calça jeans pode virar uma minissaia! Aquele jeans que está no armário há algum tempo e que você adora, mas está meio surrado? Você pode transformá-lo! Aprenda a fazer uma barra de emergência, além de dar um toque especial ao seu jeans.

Recorte seu velho jeans, rasgue, prenda com broches. Recrie sua camiseta básica e mude-lhe o formato. Recortes estratégicos, aplicações pregadas à mão, costuras de efeito visual, retalhos ou imagens estampadas, peças antigas encontradas em brechós e armários de casa. Ufa! Quantas possiblidades! Há muita coisa que você pode criar, usando a imaginação.

Afinal, reciclagem é fashion!

imagens - montagem Google 

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Ainda há muito pelo que lutar…

March 9th, 2007 Denise Posted in Blogagem coletiva, Mulher 9 Comments »

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Em 1857, 129 tecelãs de Nova Iorque foram mortas carbonizadas dentro da fábrica onde trabalhavam, porque organizaram uma greve por melhores condições de trabalho, contra a jornada de doze horas, e contra abusos e violências de que eram vítimas.

Durante toda esta semana, promovi uma série de discussões com meus alunos, aproveitando a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Eles produziram textos com depoimentos, reivindicações e muita reflexão sobre os abusos históricos contra as mulheres, e também sobre as conquistas e mudanças sociais conseguidas.

Percebi que eles foram além dessa temática feminina e estenderam a reflexão sobre o muito que ainda temos de lutar pra que , não só as mulheres, mas idosos, crianças, deficientes, negros e tantos outros grupos discriminados e perseguidos tenham também seus direitos assegurados e respeitados.

Selecionei algumas frases dos textos produzidos por eles , que transcrevo aqui:

“Hoje, no dia Internacional da Mulher refletimos: ainda há muito pelo que lutar… ”

“Ofereço estas flores a vocês, mulheres, em memória das operárias que foram sacrificadas lutando por seus direitos.”

“Ainda hoje, homens batem em suas mulheres. Será que o suor daquelas operárias não serviu para nada?”

“Há homens que matam suas mulheres, que morrem deixando seus filhos para trás. Isso é muito triste…”

“Idosos não são respeitados. Quem não respeita os idosos, um dia vai ficar velho também!”

“Todos, negros e brancos, ricos e pobres, doentes e sadios, carentes e abastados somos iguais porque somos filhos de Deus.”

“Aos poucos, vamos chegar lá. E, um dia, quando todos os direitos estiverem sendo respeitados, teremos orgulho de comemorar o dia Internacional da Mulher!”

Bem, essas e outras muitas reflexões foram feitas. Jovens e adultos que sofrem diariamente o preconceito e a repressão por serem pobres, morarem em comunidades carentes, possuírem pouca escolaridade, muitos são negros, e feios (dito por eles), e sentem na pele a discriminação na hora de procurar uma vaga de emprego ou de transitar por determinados ambientes. A maioria tem , na figura feminina, um referencial de pai e mãe ao mesmo tempo. Mulheres que carregaram a família sozinhas e que são reverenciadas por cada um deles.

Bem, termino aqui este post dizendo: hoje, não quero flores nem presentes. Hoje quero reverenciar mulheres e homens, famílias , cidadãos, que,mesmo não tendo seus direitos respeitados, continuam na luta incansável por um país mais justo,mais solidário, mais humano.

Estou participando da blogagem coletiva proposta pela xará Denise

Imagem: mulheres em luta - Google

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Mulher drang

March 31st, 2006 Denise Posted in Mulher 2 Comments »

Nenhuma mulher consegue ser mais apaixonada, romântica e devotada do que uma mulher drang! Carinho e atenção nunca são poucos quando se trata de agradar a quem ama. Direta e impulsiva, dizem que é meio pegajosa (não sei se isso é um elogio ou uma critica…). Perdoar, sempre. Traição? Jamais! Odeia ser criticada, fica magoada com ingratidão e não suporta ser repelida. Uma mulher drang se entrega por inteiro, dedica todo amor sem saber o que significa limites, faz qualquer sacrifício para ficar ao lado de quem ama.

Nunca brinque com os sentimentos de uma mulher drang

Se quiser viver em harmonia e não ganhar uma inimiga, pois, apesar de parecer inofensiva, ela pode ser implacável quando se sente traída! Pode perdoar muitas coisas, mas a traição não é uma delas. Mas não se deixe enganar por esta mulher que muitas vezes parece ser frágil e carente.Ela sabe muito bem cuidar de si mesma e pode ser extremamente forte e determinada ! Nunca é fraca, no fundo ela é uma guerreira que se revela uma vencedora nos momento em que tem que enfrentar o mundo! Muitas pessoas que pensam que podem vencê-la facilmente, acabam tendo uma péssima surpresa quando percebem que acabam de comprar uma briga com uma mulher forte e determinada! Jamais se deixa abater quando as coisas ficarem realmente ruins, e nestas horas, parece mais um rochedo do que uma donzela frágil. Se algo ameaçar seus filhos ou aqueles a quem ama, nossa! Esta mulher se tornará uma fera pronta para enfrentar o mundo!

Tempestade, às vezes. Paixão? Sempre!

Compreensão sempre será a força de que todos precisam quando estiverem deprimidos ou fracos, porque sabe, como ninguém, levantar a moral de alguém, pois conhece todos os caminhos que levam ao coração. Possui um certo magnetismo, uma beleza que enfeitiça o mais duro coração. Dizem que é bela naturalmente, não a beleza exterior, mas meu rosto sempre será mais evidente que seu corpo porque ele sempre irradia alegria. Se entristece, fica horrorosa! Quando se fala sobre a beleza de uma mulher drang, nunca se saberá explicar se ela é exterior ou interior. Afinal, o que pode ser mais belo, um corpo deslumbrante ou uma alma iluminada?

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Paixão com data de validade?

March 26th, 2006 Denise Posted in Mulher 1 Comment »

beijo

Quando dizemos que temos “química” por alguém, talvez estejamos literalmente certos… Segundo pesquisadores, nosso cérebro ativa substâncias responsáveis pela atração entre os seres. Pensamos que escolhemos nossa “cara-metade”? Nananinanão! Pasmem!

Razão, fantasia, emoção e aprendizagem x o dia a dia afetivo do ser humano

Segundo pesquisas, “os neurotransmissores cumprem uma função indispensável na ativação do impulso sexual. Os cientistas conhecem a feniletilamina (um dos mais simples neurotransmissores) há cerca de 100 anos, mas só recentemente começaram a associá-la à paixão. Ela é uma molécula natural semelhante à anfetamina e suspeita-se que sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos.

Uma teoria dos médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico Estadual de Nova Iorque sugeriu que o cérebro de uma pessoa apaixonada continha grandes quantidades de feniletilamina, e que esta substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.

Há um limite de tempo para homens e mulheres se sentirem apaixonados?

Segundo a professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque, os “seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses”. Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que a paixão possui um “tempo de vida” longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança.

A pesquisadora identificou algumas substâncias responsáveis pelo amor-paixão: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estes produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas durante as fases iniciais do flerte. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos - e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente - a fase de atração não dura para sempre.

O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor - companheirismo, afeto e tolerância, e permanece junto. “Isto é especialmente verdadeiro quando filhos estão envolvidos na relação”, diz a Dra. Hazan.

Homens volúveis? Quem disse?

Os pesquisadores afirmam que “os homens parecem ser mais susceptíveis à ação dessas substâncias. Eles se apaixonam mais rápida e facilmente que as mulheres. E a Dra. Hazan é categórica quanto ao que leva um casal a se apaixonar e reproduzir: “graças à intensidade da ilusão romanceada, achamos que escolhemos nossos parceiros; mas a verdade é conhecida até mesmo pelos zeladores dos zoológicos: a maneira mais confiável de se fazer com que um casal de qualquer espécie reproduza é mantê-los em um mesmo espaço durante algum tempo”.

Ainda há quem acredite que homens e mulheres possam se amar e viver felizes para sempre…

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Mulher é desdobrável

March 7th, 2006 Denise Posted in Mulher 1 Comment »

Somos mulheres, não mercadorias! Não queremos flores, queremos respeito! Para as mulheres que continuam ganhando menos que os homens (70% do salário deles); sofrendo violência doméstica (4 espancamentos por minuto); sendo as únicas responsáveis pelos cuidados com filhas e filhos (eu sou uma delas); não podendo decidir sobre seus corpos e suas vidas; morrendo por causa de abortos clandestinos quando não querem ser mães; sendo consideradas culpadas pelos estupros que sofrem; vendo seus corpos serem usados para vender qualquer tipo de produto; aprisionadas dentro de um único padrão de beleza ou sonho de vida.

Hoje é dia de luta, não de flores!

Eu que o diga!
Hoje conheci uma amiga de minha filha, e, ao ver meu filho adolescente, perguntou:”ele é que é o homem da casa?” Ao que eu respondi :”Ele é a criança da casa; o homem da casa sou eu!” E rimos. E, agora, refletindo sobre o papel da mulher no dia-a-dia, pensei em fazer uma crônica com uma reflexão desse meu papel de mulher-homem da casa e do mundo. Parafraseando Adélia Prado, “mulher é desdobrável. Eu sou.” 
 

 Meu dia-a-dia

Acordo antes de ouvir o barulho do despertador. Começa mais um dia de trabalho. Um dia como outro qualquer? Vamos ver. Tento não fazer barulho pra não acordar a princesinha – mas ela já está acordada, e sorri pra mim. Já ganhei o dia! E fico ali, olhando pra ela, esquecida da vida e dos problemas. Mas, a realidade é outra : tenho de ir trabalhar, honrar compromissos, resolver problemas, pagar contas, enfrentar o trânsito e , ufa … Sustentar uma família sozinha exige muito trabalho. Melhor não reclamar. Há tanta gente desempregada e outras nem família têm pra sustentar…

Em minutos estou pronta. Tomo um gole de café, enquanto arrumo as coisas na bolsa. Início das aulas é complicado, com tanto material diferente para cada escola. Acabo misturando tudo. Respiro fundo, beijo nas crianças. Crianças? Estou envelhecendo… Vai ser um dia bom. Desço as escadas e, já no estacionamento, percebo que esqueci a pasta com todo o material da aula de hoje. Não tem elevador. Subo, pensando alto :”não esquenta, olha o estresse…” Estou atrasada! Se o trânsito estiver ruim é pior. Vou chegar à escola com os nervos à flor da pele! Preciso me concentrar, manter a calma, evitar o enfarto (lembrei da Denise)…

O tempo está correndo. Descendo as escadas, respondo ao bom dia de um vizinho que sobe (vizinho? nunca o vi antes). Entro no carro e lá vou eu, olhando a paisagem linda do meu Rio, pra não estressar. Mas logo lá estou eu a repassar minha agenda e projetos mentalmente: as contas a pagar, a faculdade da filha , o estágio do filho, preciso arrumar outro emprego, faço mestrado ou não…

Lembro o primeiro casamento, cansaço. Tento outra vez? Penso que não. Dedicar-me à princesinha. E quando ela se for, morar em outra casa. Bem, tenho ou não tenho o direito de ser feliz? Posso ser feliz sozinha. Às vezes, penso que não, mas eu não tive culpa. Ou tive? Já me apaixonei, experimentei um tempo e não deu certo. Tentar mais uma vez, nem pensar.

Cheguei. Bem na hora. Ainda bem que o trânsito estava livre. Difícil é conseguir uma vaga para o carro. Retoco o batom, pego a pasta, a bolsa, o talão do estacionamento (não há gratuidade pra escola), tranco o carro e saio correndo. Subo o elevador, já atrasada (ouvi o sinal bater pra aula começar), pego meus diários de classe na sala dos professores, e entro em sala de aula, confiante, poderosa e feliz! Sturm und drang! Tempestade e paixão!

                        Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

***

Este post participa da blogagem coletiva patrocinado pela Denise, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

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Sozinha, graças a Deus!

February 28th, 2006 Denise Posted in Mulher, Pessoal 3 Comments »

Embora seja muito desligada (lerda, mesmo), foi inevitável não perceber como alguns casais pareciam se odiar, ou pelo menos passaram-me essa idéia. Estava fazendo umas comprinhas e , a todo instante o silêncio no supermercado quase vazio era quebrado por expressões de contrariedade entre os tais casais. Percebi certa expressão de enfado, desânimo, e, em outros , de raiva mesmo, por estar ali, com aquela pessoa a todo tempo a lhe fazer críticas, a lhe insultar, a reclamar de suas ações ou da falta delas.

Confesso que dei graças a Deus por estar sozinha. E não quero abrir mão das vantagens de estar solteira. Alguém me enviou um email questionando-me sobre um comentário que fiz em um blog sobre adorar estar solteira, após ler um post sobre as desventuras das pessoas casadas. Pois bem, essa observação me fez refletir sobre minha situação.

Não sou a única!

Muitas mulheres já aderiram a esta independência: estar sozinha, não dar satisfação a ninguém, decorar ou bagunçar a casa do jeito que bem entender, entrar e sair sem dar explicações, ler ou assistir à tevê até altas horas (com o controle remoto, he he), dormir e acordar à hora que quiser (se não for trabalhar, é claro), essas coisas…

É claro que às vezes há uma certa melancolia por não ter uma pessoa permanente, mas nem dá tempo pra sentir solidão. Traço planos para fazer as coisas de que gosto e que, provavelmente, se tivesse marido ou namorado, seria um pouco difícil de conseguir. Saio pra almoçar com minhas amigas e ficamos horas conversando, sem preocupação,e muitas vezes nos surpreendemos durante muito tempo olhando vitrines, vendo livros em uma livraria, andando simplesmente, em um passeio tranqüilo. E não ter ninguém nos apressando, nem ligando, monitorando dá uma sensação de alívio.

Separação é difícil!

Após um casamento complicado, como foi o meu, consegui me reestruturar e me sentir feliz e independente novamente. E pensar em dividir com alguém, espaço, tempo e dinheiro é difícil, quase impossível! Depois de alguns anos viúva, sozinha e feliz, conviver com um homem, cuidar dele, fazer comida de que goste, e coisas do tipo, me fazem pensar, não duas, mas muitas vezes. Tenho total liberdade para fazer aquilo que me der vontade. Se o meu marido sobrevivesse à tragédia que lhe tirou a vida, com certeza eu me divorciaria. Não para ter liberdade, mas porque faltou lealdade, consideração e sobrou traição e mentira. Agora sou viúva. Isso traz um certo desapontamento. Não fui eu a abandoná-lo. Não tive tempo…

Tão nova e já viúva!

É engraçado como as pessoas não aceitam bem uma mulher sozinha. Recentemente estive em um casamento, e, na hora de a noiva jogar o buquê, alguém gritou-me para que eu fosse disputá-lo. Achei tão engraçado. Em outra ocasião, um ex-namorado reapareceu com conversa de casamento. Foi um tal de gente dizendo que já era hora mesmo, que eu estava precisando de alguém, essas coisas. Ficamos uns tempos juntos. Mas acho que minha independência o assustava. Não ter o controle o incomodadava. E era isso, não era outra coisa.

Não me faz falta. Continuo solteira! E posso dizer, sem sombra de dúvida, que hoje sou uma mulher diferente,uma mulher nova. O destino deu-me uma segunda oportunidade para ser feliz. Sou livre, tão livre quanto o pode ser uma mulher. As mulheres independentes são assustadoras. As viúvas são temidas, respeitadas, sei lá.

Vantagens de ser livre

Ser sozinha, no meu caso, é bom porque tenho tempo para mim mesma. Posso viajar, fazer cursos, trabalhar à noite, ou simplesmente sair livremente, e ser feliz sem compromisso. Não ser dependente emocionalmente dá uma sensação de alívio.

Ser sozinha não siginifica ser solitária. Estar curtindo muito esta fase é maravilhoso, porém estou consciente de que ninguém suporta viver sozinho. O ideal nesta fase é aprender a nos conhecer, a nos amar, a nos valorizar. E, quando aparecer alguém, seremos muito melhores, interessantes, livres, mas sem perder a ternura e a feminilidade.
 
Imagens Google

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