
Hoje tive uma experiência extremamente gratificante! Era dia de apresentação de trabalhos de meus alunos da 3ª série. Eu não imaginei que eles fossem fazer algo tão surpreendente, pois, como já estavam envolvidos com a monografia de fim de curso, a bobinha aqui pensou que eles iam literalmente “embrulhar e mandar” o trabalho que sugeri, uma vez que não era obrigatório fazê-lo. Ledo engano. Subestimei a capacidade deles. Foi uma beleza de apresentação, com data show, slides no power point, som e imagem e um conteúdo muito bem estudado e pesquisado. E eles escolheram os autores preferidos por mim. Não sei se minha paixão foi percebida por eles, mas o fato é que apresentaram nada mais, nada menos que o seguinte:
O primeiro grupo me surpreendeu com um trabalho sobre Clarice Lispector! Começaram com dados biográficos interessantes e opiniões da autora sobre seu fazer poético. Mostraram um perfil de Clarice, analisaram a temática de suas obras. Analisaram algumas de suas obras, mostrando a relação entre os conflitos dos personagens e os da autora. Mostraram a reflexão sobre a existência e a epifania através de exemplos da linda obra de Clarice. Fiquei encantada! A qualidade dos trabalhos e a beleza de apresentação me emocionaram!
Outro grupo selecionou o meu mais querido poeta: Carlos Drummond de Andrade. Além das análises de poemas mostrando características interessantes de sua obra, o grupo me presenteou com alguns poemas recitados pelo próprio Drummond: Consolo na praia e Infância. Mostraram depoimentos do autor sobre sua obra e a politica. Sua relação com a morte da mulher e da filha, que culminou com a dele também. Seu sentimento do mundo e o desconcerto do poeta. Imagens lindas de Drummond, em diferentes fases de sua vida coroou o trabalho. Amei!
E, pra acabar de uma vez comigo, Gracilianos Ramos! E eu que pensava que eles não agüentavam mais ouvir falar sobre sertanejos, retirantes, problemas sociais e estas coisas que a gente tem de analisar nas obras por causa do vestibular. Pois bem, mais um espetáculo de apresentação da vida e obra do autor, seu lado político que culminou em sua prisão; as experiências fora do país; sua linguagem precisa, extremamente significativa. De Caetés a Angústia, sem deixar de falar sobre Vidas secas e o sertão de cada um de nós. Viajei pelas obras, junto com eles.
É claro que cada vez que eu interrompia para perguntar algo ou fazer alguma observação, eles ficavam nervosos, mas logo percebiam que estava apenas entusiasmada , como um aluno interessado querendo saber mais, he he. Sentada no fundo da sala, absorvia cada palavra,cada gesto, cada expressão deles. É muito bom sentar do outro lado! Gostaria de ter aulas assim mais vezes, porém a pressão do vestibular e o compromisso de dar todo o conteúdo e usar o livro até o fim, aliados à grande quantidade de provas que eles têm de fazer, acabam nos privando de momentos maravilhosos como este.
Para a próxima semana estão planejando a encenação de um quadro , baseado na obra de Monteiro Lobato. e para entrar no clima, nada melhor que a Princesinha vestida de Emília, he he! Fiquei feliz com o resultado, pois lancei o projeto e dei liberdade para o fazerem se desejassem. E também quem definiria o que iriam fazer seriam eles mesmos, de modo que o trabalho ficou mais prazeroso. Achei interessantíssimo quando uma aluna disse que não gostava de Clarice, mas, após ler e compreender a vida da autora, pôde entender melhor sua obra e gostar da mesma. E terminou sua exposição dizendo: “leiam Clarice!” Ganhei o dia!
Eu, metida como sou, aproveitei para dizer que conheço o neto de Graciliano e fiz uma propagandazinha dos livros do Ricardo Filho. Depois eu cobro, hein, Lord! He he… E, olhando as caricaturas do Graciliano e da Clarice, fiquei pensando em como tive vontade de ganhar uma caricatura no Barcamp; mas, só quem era indicado é que recebia esta honra… Também não perdi a oportunidade para falar que a minha Princesinha também se chama Clarisse, com dois esses. E, finalmente, ao ver a última imagem, a de Drummond, sentado no banco, na praia de Copacabana pensei alto: “ainda tiro uma foto sentada ao lado dele!
Vou sentir falta destes meninos . No próximo ano estarão na Universidade. Lembro-me de meu filho. É inevitável… Mas estou feliz. Com o coração apertado, mas feliz. Suspiro… que fundo… (parafraseando Drummond).
imagens:
Estátua de Drummond, praia de Copacabana Rio
caricatura de Graciliano Ramos- daqui
caricatura de Clarice Lispector - Pedro Henb