Carinho ‘diário’ às mães é melhor!

May 11th, 2008 Denise Posted in Família, Mãe-órfã, Pessoal 2 Comments »

Quando Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães, ela desejava apenas que este fosse um dia em que todos se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

No entanto, o Dia das Mães se tornou uma data triste para Anna Jarvis, pois o feriado se tornou um dia lucrativo para os comerciantes, que vendiam cravos brancos, flor que simboliza a maternidade. Para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante os anos, Anna enviou mais de 10 mil cravos para a igreja, para serem distribuídos às mães. Os cravos passaram, posteriormente, a ser comercializados. Isto deixa Anna muito furiosa, pois, segundo ela, não criara o dia as mães para ter lucro”. Anna entra com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso. Ela passou o resto da vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. O curioso é que ela nunca se tornou mãe.

E assim acontece todos os anos: filas cruéis nas portas de restaurantes, onde senhoras cansadas, mas felizes (?), aguardam para comer apressadamente (outros esperam na fila para entrar) com seus filhos queridos. Com tantos dias no ano, porque este sacrifício hipocrita de levar a mãe para comer fora? Dia das mães é todo dia! Pior ainda, são aqueles que vão à casa da mãe almoçar com ela, que, esbaforida, se acaba de tanto cozinhar os pratos prediletos dos filhinhos…

Não sou mãe desnaturada nem filha ingrata, principalmente com a família linda que tenho. apenas não restrinjo minhas manifestações de carinho a uma data comercial, embora não tenha sido esta sua intenção ao ser criada. A obrigação de se comemorar tal dia leva muitas mães a ficarem tristes com o abandono de seus filhos, esquecidas em casa ou em asilos, ou coisa pior, atrocidades que sofrem dos filhos, que nem quero citar aqui.

O que eu mais queria no dia de hoje, era ficar em casa, com meus botões, minhas lembranças, minha dor. Mas minha filha me espera, e minha mãe também; e não posso decepcioná-las… Lá vou eu, dividir-me em duas: um pouquinho na casa de cada uma. Prefiro assim. A minha casa fica fechada. E meu coração também…

A todas vocês, felizes 365 dias das mães! E, aos filhos, 365 dias de manifestações de carinho às mães. Porque, carinho diário à mãe é infinitamente melhor!

Fotos: Meu anjo, Minha Princesinha e minha Filha
fonte de pesquisa: Portal da Família

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Eternamente…

April 5th, 2008 Denise Posted in Mãe-órfã, Pessoal 9 Comments »

Hoje faz dois anos que tenho um anjo

Mas não se passaram dois anos em meu coração. Está bem vivo em minha memória aquele momento. Acontece o tempo todo, como se o relógio de minha vida tivesse parado ali. Dizem que o tempo cura todas as feridas. Mas a morte de um filho não é uma ferida. É uma mutilação. Uma parte do coração que foi arrancado e que não sara nunca.

Sua imagem para sempre gravada em minha memória. Eternamente.
Como dói…

Parabéns pra você
Nesta data
Querido…

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Eles vão, mas voltam ao ninho.

February 6th, 2008 Denise Posted in Clarisse, a princesinha, Família, Mãe-órfã, Viver 17 Comments »

- É muito ruim ficar sozinha. A solidão é horrível, você vai ver. - dizia-me dona Norma, a vizinha viúva, já idosa, que morava sozinha no apartamento ao lado do meu.

Não me dava conta de que sua predição acontecesse tão rápido. E ela pôde provar sua teoria. Meses depois, sua única filha veio buscá-la para morarem juntas. Não queria morar com a filha. Gostava de ser independente. Mas, tempos depois, ao voltar para visitar-nos, estava irreconhecível: mais corada, havia engordado (só então percebemos o quanto estava magérrima), sorridente e visivelmente feliz. Fiquei pensando se a solidão realmente fazia mal. No caso dela, parece que sim. Há poucos dias, soube que ela falecera. Penso que partiu feliz, perto da filha e junto aos amigos.

Os filhos são presentes que recebemos de Deus. Pra muita gente, às vezes, é um presente de grego. Mas, na maioria das vezes, trazem alegria e vida dentro da família. Mas os pais não se preparam para o dia em que eles irão embora. E constroem casas enormes, com quintais imensos, um lar do tamanho de seu coração. Do tamanho de seu amor. Mas, um dia, um a um, vão saindo. Indo. E a casa fica vazia. Tudo arrumadinho. Não há mais bagunça para arrumar. O volume de roupa para lavar diminui. Não há pra quem cozinhar. Não há som alto para se mandar abaixar.

Então, um belo dia, chegam os netinhos. Como um bálsamo na ferida aberta. Gritos, sorrisos, bagunça, alegria. Mas eles ficam tão pouco tempo. "Tiau, vovó! Te amo!" E lá se vão, de novo, para suas casas. Novamente o ninho vazio. Talvez seja por isto que há tantos idosos no mercado de trabalho, nas universidades, nas academias, nos cursos de arte, nos salões de dança, nos projetos sociais das igrejas, nas excursões. Precisam se manter ocupados, para não lembrar que agora estão sozinhos. Para não adoecerem de tristeza e solidão. E acabarem em asilos ou clínicas de repouso, esquecidos, na ‘melhor idade’.

Sempre pedi a Deus que me levasse cedo. Que não me deixasse envelhecer. Pensava que a solidão viria com a velhice. Mas, hoje, tão nova ainda, vejo o ninho vazio. Os filhos estão indo embora cada vez mais cedo. Silêncio. Tudo arrumadinho em seu lugar. Cesto de roupa vazio. Fogão brilhando, sem uso. Nenhuma toalha molhada sobre a cama. Nem tênis espalhados pelo chão. Nenhuma voz, nenhuma risada. Ninguém para cobrir durante a madrugada.

De repente, toca a campainha. Gritos eufóricos no corredor. E lá vem ela, pulando e gritando: "vó, ti amo!". E tudo volta a ser como antes:

- Que bagunça! Quanto brinquedo espalhado! Quem rasgou esses papéis?
- Vó, quero comida!
- Que inundação neste banheiro!
- Vó, vem me ‘precurar’ ! Tô ‘iscundida’!

Filhos são presentes que Deus nos dá. Netos, são os filhos que voltam para preencher os dias de ninho vazio. Ninho vazio? Quem disse?

imagem: A princesinha fazendo bagunça na casa da ‘vó’.

Atualizando:

A Luma está organizando a campanha contra a pedofilia. No dia 14 de fevereiro, vários blogs estarão postando sobre o assunto, seriíssimo, por sinal.  Se quiser participar, visite o blog da Luma e avise-a. Vamos todos juntos lutar contra este crime tão nojento! Chega de impunidade! Participe!

 

 

 

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Amigos sabem o que dizer

January 26th, 2008 Denise Posted in Mãe-órfã, Pessoal, Viver 10 Comments »

Vou tocar em um assunto que poucos gostam de mencionar. Sinto que devo fazê-lo, pois, muitas pessoas, não sabendo como agir diante de alguém que perdeu um filho, tratam-nos como se fôssemos seres incompreensíveis, ou, simplesmente nos ignoram.

Não vou fazer um manual de como se comportar com alguém que teve tal perda, mas quero esclarecer alguns pontos que, para mim, pessoalmente, são relevantes. E, penso que, talvez, meus amigos gostariam de fazer certas perguntas e não sabem como fazê-lo. Vou falar de mim, particularmente. Cada pessoa reage de um jeito. Então, penso que preciso esclarecer certas coisas.

É importante saber que algumas atitudes, ou a falta delas, podem ser muito benéficas ou terrivelmente devastadoras para quem perdeu um filho. Há pessoas que agem, diante de alguém que teve esta perda, como se nada houvesse acontecido. Outras, como se tal perda fosse algo muito natural e a que não se deva dar importância. Outros, tentam ser solidários, mas, por não saberem o que fazer, acabam magoando quem sofreu a perda, pensando estar lhes confortando.

Optei por morar sozinha, recusando o convite de meus pais e de minha filha para ficar com eles. Por quê? Apenas porque tenho necessidade de ter um lugar em que possa falar o que ninguém quer ou precisa ouvir. Um lugar onde possa gritar, se tiver vontade ou necessidade de assim o fazer, sem ser julgada como louca. Um lugar onde possa colocar as fotos de meu filho junto às de minha família, sem excluí-lo, como se não mais existisse. Não aceito esta história de que "isto faz mal", pois, acreditem, faz muito bem, muito bem mesmo, olhar aquele sorriso, abraçado comigo, com a irmã, com a sobrinha ou com o pai.

Quando estou com meus amigos, gostaria que eles falassem , sem nenhum medo de me magoar, de todo carinho que, de verdade (não apenas para eu me sentir bem) sentiam pelo meu menino. Sim, é bom saber que gostavam dele. Isto faz muito bem. Podem acreditar. Saber que compartilham o sentimento de saudade dos momentos alegres que tivemos com ele, é bom.

Se, por acaso, eu chorar, permitam-me chorar! E não tenham medo de chorar também. Não me magoa, pelo contrário, só me prova que o amavam também ou que compartilham a saudade comigo. Mas, não chorem de pena. Não precisamos de compaixão. Apenas de amizade.

Dói mais perceber que meus amigos não esboçam nenhuma reação quando falo de meu menino, do que ouvi-los falar dele, naturalmente, com amizade e com emoção. Poucas vezes me ouvirão falar do meu filho, mas, quando acontecer, falem comigo das qualidades do meu filho e do que gostavam nele. Não fiquem relembrando as coisas tristes pelas quais passou. Relembrem apenas os bons momentos. Não evitem o assunto ou mudem para outro tema, sob o pretexto de que eu não me sentirei bem ou de que não sabem o que dizer.

Há pessoas que me dizem que sabem o que sinto. A não ser que tenham perdido um filho também, nunca digam isto! Outras me dizem que é besteira ficar sofrendo a perda de alguém, pois todo mundo morre, e a vida continua. Sim, a vida continua. Nunca tive tanta vontade de viver como tenho hoje em dia. Já perdi avós, tios, sobrinhos, primos e amigos. Mas, a dor da perda do filho, não é uma coisa "comum", como querem que eu acredite. Também não me digam que tenho a sorte de ter outra filha e uma linda netinha. Isto não substitui meu filho em meu coração.

Também não fiquem perguntando o que aconteceu. Já são enormes os sentimentos de dúvida e de culpa que tenho, e que, acredito, todos pais que perdem um filho têm. Se não sabem o que dizer, não digam nada. Apenas escutem. Não mudem de assunto, apenas ouçam.

E, para aqueles que pensam que recordar é sinal de loucura, afirmo que, pelo contrário, é um sentimento que precisa continuar vivo, para que eu mantenha o equilíbrio da mente e do espírito. É com dor, mas também com alegria, que essas recordações dão sentido à minha vida. Acreditem, estas lembranças não são mórbidas, mas apenas a constatação de que este amor nunca terá fim.

imagem daqui

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Por que sou feliz?

December 26th, 2007 Denise Posted in Clarisse, a princesinha, Mãe-órfã, Viver 11 Comments »

princesinha.jpg
A razão de eu ser feliz…

Alguns depoimentos interessantes sobre o SER AVÓ:

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer.Rachel de Queiróz

“Ser avó não é se sentir mais velha, e nem ficar atrás de um avental; é ser mãe duas vezes, é ser amor sempre.” Nancy Cobo

“é resgatar um tempo gostoso, é muitas vezes fazer o que nunca fez… É ficar babado com as gracinhas dos netos… É pintar a vida cor de rosa e azul anil só para ver o neto feliz. ” Lavínia Machado

” a presença dos netos vivifica as avós e lhes dá um novo sentido à vida… elas podem transmitir aos netos toda a bagagem rica que acumularam durante a vida: o amor ao próximo, a simplicidade de viver respeitando os outros, a modéstia no falar, no vestir e no agir, o desprendimento das coisas materiais, a valorização da vida espiritual, a pureza das intenções, a sabedoria de viver, a discrição, o domínio de si mesmo, a paciência, a calma nos momentos de dificuldade, a bondade…” Felipe Aquino

E eu, digo o quê? Tudo isso e muito mais! E, como dizem por aí que uma imagem vale mais que mil palavras, então eu coloquei duas imagens de minha Princesinha, que é pra valer por duas mil palavras, he he! Talvez assim, algumas mães que me escrevem e estão sofrendo a perda dos filhos possam compreender que não sou uma mãe-órfã desnaturada, que sorri e parece feliz. É que eu tive a graça de ser mãe de anjo, mas Deus, em sua misericórdia, me coroou com a graça de ser avó desta linda Princesinha. E eu seria muito ingrata se não cumprisse com fidelidade a missão que Ele me confiou. E ser feliz.

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Emoções demais

December 21st, 2007 Denise Posted in Mãe-órfã, Pessoal, Trabalho, educação e ensino 16 Comments »

Ontem foi um dia especial para mim. A formatura de minha turma do coração. Sim, existe uma turma que me marcou, nestes 31 anos de carreira. No momento mais difícil de minha vida, eles me acolheram. Abaixo, meu discurso-bate-papo que me levou às lágrimas. Vejam que galera linda!
Obrigada , meninos!

1301formatura.jpg

Assim comecei meu discurso:

” Srªs Diretoras , caros colegas professores, prezados pais, queridos formandos. Agradeço aos alunos da turma 1301 pelo convite para ser paraninfa da turma. Assim, este discurso será, para vocês, uma última aula.

O termo paraninfo tem atualmente, um significado diferente do original…

(Ah! , foi o murmúrio geral, ao que eu retruquei: vocês me escolheram? Agora “güenta”, hehe… )

E continuei:

… o termo paraninfo tem atualmente, um significado diferente do original. Antes, significava uma espécie de padrinho dos noivos”, do grego ‘para’ (junto) e ‘nymphe’ (noiva). A proteção aos noivos deveria ocorrer antes, durante e depois do casamento. Um tipo de padrinho com responsabilidades determinadas. Hoje, o paraninfo é o padrinho dos formandos. É como se fosse um pai da turma. E, no meu caso, a mãe de vocês.

Pensei, a princípio, em discorrer sobre sua trajetória acadêmica até chegar a este momento, mas, optei por lhes falar do relacionamento com vocês e de tudo o que tal convivência representou para mim. Peço licença à mesa e aos presentes, para dirigir-me diretamente aos formandos.

Vejo vocês, formados, e sinto diferentes emoções: primeiramente a de um professor, feliz por ver que de alguma forma contribuiu para lhes trazer algum ensinamento; a emoção de uma mãe, ou de um pai, ou avô, ou avó, que vê seu garotinho ou garotinha tornar-se um jovem e iniciar uma nova fase na vida. E a emoção de uma amiga que compartilha a alegria da formatura de seus amigos.

E, como professora, mãe e amiga, peço-lhes algumas pequenas grandes coisas:

Gostaria de que mantivessem sempre viva a vontade de aprender. Não apenas em sua área, na especialidade que vocês escolheram, mas, sem preconceito ou qualquer vaidade, aprendam sobre tudo. Enriqueçam-se com leituras de qualidade e outras fontes de informação, busquem recursos tecnológicos para enriquecer suas experiências culturais. Utilizem aquilo que aprenderam em sala de aula, e busquem mais; não se contentem com o pouco que nós , professores, lhes ensinamos; busquem mais. Quero vocês, ousados e determinados. Mas também humanos, éticos e responsáveis em suas atitudes com o meio social e o meio ambiente em que vocês estão inseridos.

(E, voltando-me para os professores presentes eu disse: “agora, vou ‘puxar a brasa para a minha sardinha’ “.)

E continuei:

Lembrem-se das obras estudadas durante o ano para o vestibular. (a turma riu.) A maioria delas trata dos problemas referentes a relacionamento entre as pessoas e a realidade. Lembrem-se das reflexões que fizemos em sala de aula. Aprendemos muito com Mestre Carpina, Fabiano, Sinhá Vitória, Madalena, Paulo Honório e tantos outros. Se estes problemas são temas de romances clássicos e universais, conclui-se que são temas importantes em nossa vida.

Este é um momento muito especial. Inesquecível. Imagino o que vocês estão sentindo neste momento, e o que esta formatura representa para vocês. Para alguns a realização de um sonho, para outros a conquista de uma vitória cheia de obstáculos. Muitos enfrentaram muitas lutas e dificuldades para chegar até aqui. É um momento de alegria, orgulho e emoção para os seus professores, por mais esta etapa cumprida, para seus pais, avós, irmãos e amigos presentes.

Meus queridos alunos da turma 1301, a convivência com vocês, certamente deixou em mim uma nova maneira de encarar a vida, especialmente em um momento em que ela só me deixara lembranças muito pesadas. E naquele momento, em que a vida estava tão pesada para mim, transferi para vocês, todo meu afeto. Obrigada por estes momentos que passamos juntos, por nossos projetos, e obrigada pela honra de ministrar esta última aula a vocês.

Agradeço a Deus, por nos abençoar, nos dar graça e paciência para chegarmos até aqui. Desejo tudo de melhor para vocês, como uma mãe deseja tudo de melhor para um filho. Como tudo de melhor que desejei para o meu filho. (Neste momento, a voz ficou embargada e as lágrimas vieram).
Felicidade e muito obrigada.”

À noite, houve uma linda festa. Muita alegria e descontração. Ainda não recebi as fotos, (já recebi algumas hoje, domingo) mas , pelo telão, vi que ficaram lindas. enxerguei em cada um daqueles rapazes e moças, tão alegres, tão lindos, dançando com tanta energia, vocês sabem quem

 

festa1301dez.jpg

Bem, missão cumprida. E a alegria do trabalho realizado com amor. E pelos amigos que conquistei.

fotos:

  1. minha querida turma 1301 e eu, no discurso de paraninfa
  2. Eu, de bruxinha, alguns professores e a turma, na festa de formatura
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Devia ter amado mais…

December 2nd, 2007 Denise Posted in Clarisse, a princesinha, Mãe-órfã, Pessoal, Viver, 18 Comments »

Bem, eu sempre digo à minha filha que não gosto de fazer planos com menos de 24 horas, pois nem sempre as coisas acontecem como nós queremos. Fiz um planejamento para esta semana que foi por água abaixo. Programei ir à Primavera dos livros, mas, durante toda semana estive com a agenda cheia de trabalho e compromissos de última hora. No final da semana que já está acabando, outro imprevisto e, resultado, não fui nem vou mais ao evento. Minha amiga pretende ir, e ficou de me dar a reportagem do evento.

Esta não foi uma boa semana emocionalmente falando. Tive alguns aborrecimentos de cunho pessoal e hoje estou qual eremita, em minha concha. Mas Deus é misericordioso e me deu a alegria de dormir junto com a Princesinha! Ela está meio febril, mas não pára de espoletar, hehe! Quando penso que não tenho mais nada a fazer nesta vida, a imagem dela me vem à mente e resisto à vontade de desistir e sigo em frente.

Sempre penso, e digo também, que não entendo os desígnios de Deus: deu-me uma Princesa e em seguida um Anjo. A dor e a alegria fundem-se e confundem-me. Vontade de nada fazer e desejo de abraçar o mundo com as pernas, tudo ao mesmo tempo. Olho o mundo à minha volta, e procuro a beleza nele. Nossos olhos interiores teimam em só ver violência, desgraça, desumanidade. Mas eu procuro a beleza. E a vejo no sorriso de Clarisse. Na esperança de que um dia a felicidade virá.

É conhecida a filosofia de que para sermos completos devemos plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Analisando mais profundamente esta questão, vejo que a árvore representa o amor à natureza e o compromisso de preservá-la a fim de que se perpetue. Da mesma forma, nossas experiências vividas se perpetuarão à medida que vamos escrevendo nossa trajetória nesta vida. E um filho seria a concretização de uma vida de amor que se perpetua infinitamente.

Mas, tomando ao pé da letra esta filosofia, tive dois filhos. Um, partiu cedo e não deixou fruto. Minha filha agraciou-me com a Princesinha. Em nossa casa, tínhamos três árvores: um flamboyant belíssimo, uma mangueira deliciosa e uma goiabeira de estimação. Hoje já não mais existem. Por força de expandir a casa, foram derrubadas. Que horror! Mas meu pai plantou uma árvore na calçada em frente ao portão e ela continua lá até hoje, maravilhosa. Eu, pessoalmente, não plantei minha árvore ainda. Minha dívida com a natureza continua.

Quanto a escrever um livro, acredito que, literalmente, jamais terei coragem de fazê-lo. Desde os treze anos que escrevo impulsivamente. Lembro-me de ter queimado cerca de oito cadernos bem grossos, com páginas e mais páginas de mim. Hoje em dia, limito-me a analisar, estudar e estimular outros a amarem as obras escritas pelos verdadeiros gênios da arte de escrever. Ao conhecer Machado, Drummond, Graciliano, Rosa, Clarice e tantos outros é que tive a medida exata de minha incapacidade nesta arte.

Este post mais parece uma salada mista de idéias e sentimentos. Vejo que muitas pessoas passam por aqui e nada dizem. Talvez eu é que não tenha nada a dizer. E elas apenas passam. Por outro lado, foi escrevendo no blog que conheci amigos que estão comigo há algum tempo. Amizades fortes que ultrapassam o monitor e chegam até onde estou. Costumo dizer que meu vizinho não me conhece. Aliás este é um problema nos condomínios. As pessoas passam cabisbaixas pelos corredores. Mal se olham. E quando cumprimentadas, limitam-se a resmungar um quase inaudível “..dia.. ; …tarde… ; … noite…

Bem, sinto-me como o eu lírico da letra daquela música linda dos Titãs:

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer…

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração…

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor…

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier…

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…(2x)

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr…
Ouça aqui.

imagem daqui

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A ficção retrata a vida

November 25th, 2007 Denise Posted in Mãe-órfã, eventos, violência 13 Comments »

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Estou lendo o livro do Valter Ferraz. Uma narrativa envolvente, de ritmo acelerado, e, acima de tudo verossímil demais a meu ver. Hoje, ao ler justamente este capítulo, senti reviver a dor de mãe-órfã. A cena do menino caído, baleado, julgando que seria socorrido pelo policial, e este, friamente o executa. Valter descreve com muita realidade os segundos que antecedem a morte do menino:

” O céu girando loucamente e o gosto do sangue subindo pela garganta. Viu o rosto da mãe, do Juninho o irmão que morreu ano passado. Uma confusão de pessoas, gritos, barulhos estranhos. Silêncio.”

Meus Deus! Sim, meu Deus! Ele me preparou para ler isto hoje, pois, horas antes, estive na igreja, pela manhã, e, ouvi : “às vezes você se pergunta por que Deus está fazendo isto com você…” Não me lembro do resto. Só chorei, baixinho. Lembrei-me de que não cai uma folha de uma árvore sem a permissão dEle. E sei que Ele é um Deus bondoso, cujos planos não compreendo, mas que são perfeitos.

Lendo, agora à tarde, no livro do Valter, esta descrição tão tocante de o menino lembrando a mãe e o irmão, fiquei imaginando o meu menino, em seus momentos finais, pensando em mim, na irmã e na Princesinha. Preciso parar agora. Não posso escrever mais… Emoção demais.

O lançamento do livro do Valter será no dia 6 de dezembro em SP. Estarei lá.

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dor “reproduzida”

November 13th, 2007 Denise Posted in Mãe-órfã, Pessoal, Viver, blogues 7 Comments »

Encontrei hoje, no Copyscape e no Google também, uma cópia idêntica do meu post sobre como me sinto em relação à perda de meu filho. A pessoa postou no dia 27/11/2007, ou seja, uma semana depois que eu escrevi aqui. Como ela também perdeu o filho , e copiou esta mensagem para ele, relevei. O site dela nem está mais no ar, mas em cache, aparece no copyscape e no google. São palavras minhas, meus sentimentos em relação a meu filho… e ela postou como se fossem seus…

Vejam a cópia: ela acrescentou algumas frases (sublinhadas) dirigindo-se ao seu filho:

Journal

Viver é difícil …sem ti meu filho… : Oct 27, 2007 1:27 PM

Viver é difícil. É superar barreiras que , na verdade, somos nós mesmos que construímos. Compreender que muitas vezes a dificuldade somos nós mesmos, que insistimos em nossa privacidade, privando-nos , na verdade, dos outros, ou melhor, protegendo-nos do outro.

Confesso que tenho feito um esforço para ser mais accessível. Sair da redoma que eu própria construí. Lutar para dar sentido à vida; acreditar que deus me privou de um bem tão precioso. tu meu filho Saber que nem toda humanidade é nociva. Gostar das pessoas, como são, e não como gostaria que fossem. Perceber que a felicidade é algo que independe do outro, que é preciso procurá-la, talvez cultivá-la dentro de nós mesmos.

Parar de usar bengala, de apoiar-me em quem quer que seja para não desistir. Não viver eternamente da lembrança de momentos importantes, mas construir novos momentos, meus. contigo no meu coraçao e com os teus irmaos e sobrinhos Libertar-me da culpa de ter falhado em algum momento e ter deixado escapar uma jóia tão preciosa. o meu menino.

Cada pessoa reage de uma maneira à dor. A impressão que se tem é a de que jamais nos restabeleceremos. ..ainda nao sei perdoar espero um dia conseguir Mas, não exijam que eu esqueça. Não, isso nunca! tua lembrança para sempre ficará em minha memória, entranhada em minha alma. tua voz baixinho, soando em meu coração me chamado de mae. Uma sensação de impotência tamanha. E uma esperança enorme de reencontra.t um dia, quando meus olhos fecharem…

Viver é extremamente difícil. Reviver é desesperadamente necessário. da tua mae que te ama muito e as saudades sao muitas ate logo meu filho,

 

Bem, quanto a mim,

Sinto uma dorzinha danada de doída… E só… A dor dela não deve ser menor que a minha. Então, compartilhamos o texto também… E não se fala mais nisso.

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ANA VIRGÍNIA SARDINHA

November 5th, 2007 Denise Posted in Blogagem coletiva, Mãe-órfã 2 Comments »

Eu não não pretendia participar da blogagem da Ana Vírginia, por razões muito pessoais, mas alguns amigos solicitaram que ajudássemos. Então resolvi me unir a eles em uma blogagem coletiva no intuito de sensibilizar as autoridades ao drama dessa moça que foi torturada em Portugal, acusada de ter matado o próprio filho. A história completa está nesta página.

Aqui também, há mais informações:

http://luzdeluma.blogspot.com

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