
Aparentemente são alegres, mas é uma felicidade forçada. Talvez seja uma atitude defensiva para encobrir os sentimentos de raiva e culpa pela morte da mãe. Diz o sábio, que ‘o coração alegre aformoseia o rosto’. Mas afirma também que, ‘até no riso, terá dor o coração’, pois, ‘com a tristeza do rosto se faz melhor o coração’. Embora busquem a alegria e o prazer, o adolescente que não expressa sua dor encontrará mais dificuldade para superá-la. É preciso expressá-la, sim, mas sem agressividade para consigo mesmo e para com os outros.
A dor da perda dura eternamente, mas é possível adaptar a vida e as emoções para que os dias sejam mais leves. As lembranças boas da mãe e com a mãe, devem superar a dor da perda, pois são um alimento que a mantém viva na memória.
Talvez, para o adolescente de hoje, seja mais fácil superar tal sofrimento, pois, a família não é mais estruturada como antigamente. Separações, divórcios, mães que trabalham o dia inteiro, lares sem pai, e outras formas de ‘família’, contribuem para criar no adolescente esta independência afetiva, às vezes, até, parecem vazios emocionalmente. Mas a verdade é que eles sentem, sim, e sentem muito, a seu modo.
Particularmente, nunca soube como lidar com adolescentes que sofreram perdas assim. Penso que não soube ajudar meus filhos, por ocasião da perda do pai, por ter sido uma mãe sempre ausente, por força do trabalho. E, hoje, lido diariamente com vários adolescentes que perderam sua mãe ou pai. E não sei como fazer para ajudá-los a superar seus traumas e viver de forma construtiva. E vejo, pesarosa, serem levados pelo turbilhão das drogas, da delinqüência e morte.
Senti-me, como mãe, e sinto-me, como educadora, incapaz de ajudar estes meninos. Não tenho estrutura emocional para lidar com os adolescentes que apresentam traumas. Nem acredito que seja este o meu papel. Talvez, com a ajuda de psicólogos ou programas sociais diretamente ligados à escola. Mas esta discussão é longa e eu ando tão cansada…
imagem: daqui
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Denise, realmente é muito difícil, assim como é difícil ajudar qualquer pessoa que tenha perdido alguém muito amado.
O que nos resta, do lado de fora, é mostrar amor, carinho, compreensão. Pode não ser a solução para as dores vividas, mas com certeza, vai aliviar um pouco do sofrimento desse coração.
Você é doce, e eu amo você assim, com seus medos, com suas supostas fraquezas.
Beijos
Denise, não sei como lidar, mas eu tive um amigo que perdeu pai e mãe num acidente de carro. Ele era um doce, mas tinha sempre uma tristeza mais profunda no olhar, mesmo quando ria. Só o tempo restabelece a plenitude nesses casos, em minha opinião.
[...] Como ajudar o adolescente que perde os pais? – Sturm und drang Vai… Vai quem? Parte 5: cuide bem do seu ídolo – Marmota, mais do mesmo Somos ou não somos heróis? – Lino Resende GENTE ESTRANHA – Pirão Sem Dono Comparações – Adão Braga, corpo, alma e espírito Não queria dizer adeus… – Palavras … Todo mundo tem razão? – Gerador de Improbabilidade Infinita Parada Gay 2008 – Eu sobrevivi – Chiqueiro Chique [...]
É mesmo difícil lidar com perda, da gente ou de quem está próximo, principalmente se adolescente. Acho que o fundamental é o apoio, que deve ser explícito.
Bom…perdi minha mãe com 16 anos. não tenho irmãos… atualmente vivo com meu pai doente e distante emocionalmente de mim como eu dele.
Até hoje tenho trauma dos dias da minha mãe no hospital porque mesmo tendo 16 anos na época fiquei com ela dormia com ela fazia tudo..nunca vou esquecer o que vi..
Emfim acho que “superei” sozinha porque ninguém nem mesmo meu pai perguntou como me sentia. fiquei calada todos esses anos e permanecerei calada.emfim..não vai trazer ela de volta…Procuro esquecer os problemas tocando instrumentos musicais! ^_^