
Se há algo que me enlouquece é gente mal-educada no trânsito. Principalmente se for homem. O sangue ferve. Já houve ocasião em que me aborreci à toa, discuti, e ainda me arrisquei, pois nunca se sabe quem é o louco do outro carro. Em outra situação, simplesmente ignorei a criatura, que, sem platéia, não teve pra quem dar seu showzinho.
Sempre que tenho de entrar à esquerda, em uma rua principal, em mão dupla, penso que, se as pessoas fossem mais generosas e amáveis, mudariam para a pista da direita de modo que os que vão entrar na avenida, pudessem ir pelo meio da pista. Pois bem, pensando assim, certa vez, entrei em uma avenida principal pela pista do meio, acreditando que o motorista que vinha se aproximando mudaria para a pista do canto à direita, por educação, amabilidade, sei lá. Naquela avenida, a maioria dos motoristas faziam isso. Entravam pela pista do meio, na marra, pois não havia sinal de trânsito. Hoje em dia já instalaram o bendito sinal. Mas, neste dia, o motorista que vinha na pista principal, ao me ver entrando na avenida, pela pista do meio, e, vendo-se forçado a ir pra direita, berrou:
- Não sabe esperar, não, hein! - e acrescentou outras palavras impublicáveis aqui.
Senti tanta raiva, pois a pista direita estava com-ple-ta-men-te vazia, e não custava nada ele me deixar entrar pela pista do meio, à esquerda dele. Ao vê-lo vociferando palavrões, perdi o controle e respondi na mesma moeda (que mico…). Tive ímpetos de agredi-lo com a tranca de direção, que mais parece uma barra de ferro. Ele me ultrapassou e tentou me fechar. Furiosamente, acelerei com tanto ímpeto, que ele saiu da frente pra não batermos os carros. A cena a seguir foi ridícula e hilária. Um tentava correr mais que o outro e, ao se ultrapassarem, gritavam impropérios pela janela dos carros. Cheguei a desejar que ele estivesse indo pro mesmo lugar que eu, pra continuar a discussão quando parássemos. Felizmente, o itinerário de ambos era outro, e cada um seguiu seu caminho.
Passado o episódio, senti-me tão mal! Física e emocionalmente. A raiva nos deixa cegos e corremos riscos desnecessários em um episódio em que bastava ignorar o mal educado e seguir calmamente o meu caminho. Nós realmente poderíamos ter provocado um acidente, ou até mesmo nos agredido fisicamente. O que realmente importa? Mostrar quem é o mais forte, quem tem mais direito, ou ser cordial e amável, respondendo a agressividade com amabilidade? Ou, caso não seja possível ser amável, pelo menos ignorar a circunstância adversa, que, no fim, não nos levou a nada. Bem, acho que aprendi mais esta lição.
Hoje em dia, limito-me a abençoá-los: “vai com Deus, abençoado!”. Já não sou mais nenhuma menina para encarar estes covardes no trânsito, não é mesmo? E quando a raiva é muito grande, faço o sinal da cruz para eles, kkkkk. Porque, se eu os amaldiçoar, eles ficarão amaldiçoados. Ponto. Duvidam?
Imagem: Sergei cartoons
Leia também:
Por que os homens amam a guerra?
Gostou deste post? Assine o RSS Feed e receba nossas atualizações!
Powered by Zoundry Raven






Meu Google Reader


